Qual a finalidade da prescrição de suplementos orais na alta hospitalar?

A terapia nutricional, incluindo a suplementação oral, é parte importante do tratamento de alguns pacientes e está indicada naqueles com ingestão alimentar abaixo das necessidades nutricionais, resultando em déficit do estado nutricional. Evidências científicas demonstram que o estado nutricional interfere diretamente na evolução clínica, sendo fundamental a presença de profissionais qualificados para acompanhar a evolução nutricional destes pacientes. 

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Devido ao aumento de evidências científicas sobre os benefícios da utilização dos suplementos orais, a sua prescrição têm aumentado em ambiente hospitalar e domiciliar em pacientes adultos e idosos em distintas situações clínicas, como doença renal crônica, diabetes, câncer, doença pulmonar obstrutiva crônica, fratura da bacia,  cirurgia gastrintestinal, entre outros. Os benefícios incluem redução significante da mortalidade e de complicações (por exemplo infecção ou úlcera de pressão), particularmente em pacientes graves idosos. Independentemente do grupo de pacientes, os suplementos orais consistentemente melhoram a ingestão nutricional e, como consequência, aumenta o peso corporal.

Segundo o Guideline ESPEN, 2006, há forte recomendação para o uso de suplementação oral em idosos, pois além de promover aumento da ingestão de energia, proteína e micronutrientes, promove melhora e/ou manutenção do estado nutricional, reduzindo o risco de mortalidade naqueles desnutridos ou em risco para desnutrição. A orientação nutricional, incluindo o estímulo ao consumo de suplementos nutricionais orais, é uma estratégia comumente utilizada para melhorar a ingestão oral e promover ganho de peso em pessoas com câncer.

Na Inglaterra, revisão sistemática aponta crescimento no consumo e prescrição de  suplementos orais entre pacientes hospitalizados e em cuidados domiciliar. Esta mesma revisão pontua, ainda, um importante aspecto: os benefícios do uso de suplementos parecem ser mais efetivos em pacientes com índice de massa corpórea (IMC) menor ou igual a 20 kg/m2.

Na prática clínica, diversos suplementos orais estão disponíveis em diferentes formas de apresentação, como líquidos, em pó ou em barra. Geralmente, o enfoque destes suplementos são os macronutrientes – carboidratos, proteínas e gorduras; mas grande parte também contém vitaminas, minerais e ainda nutrientes específicos, como ômega-3 e fibras. Além disso, apresentam variedade de sabores, sendo a maioria isenta de lactose devido à alta prevalência de intolerância à substancia, ou pelo fato dela estar diminuída em algumas patologias, e ainda específicas para determinadas doenças, como câncer e diabetes.

Os desafios da utilização de suplementos orais são encontrados se o seu uso for prolongado, e as principais queixas do paciente são sabor e consistência. Nestas situações, a aplicação da técnica dietética para criar receitas e preparações com o suplemento pode estimular e melhorar a aceitação

No decorrer da alta hospitalar deve-se iniciar o processo de educação nutricional referente à suplementação oral a todos os pacientes que por algum motivo não conseguirem suprir as necessidades por meio da dieta, ou se houver necessidade de um aporte maior de determinados nutrientes, conscientizando-os da importância da suplementação aliada à alimentação habitual, e demonstrando as inúmeras vantagens da sua utilização, além de ser prática e segura

 

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