Oferta proteica em diferentes perfis de pacientes

 

 

Quanto ofertar de proteína?

Com a perda de aminoácidos há também perda de função do órgão e isso deixa os pacientes muito debilitados. Pois quando falamos em proteínas, não estamos falando apenas na presença ou não de músculos e sim de inúmeras funções associadas, como a função enzimática para a construção dos músculos, a função de transporte de substâncias, a função estrutural ou plástica (onde estão associados o colágeno e a queratina, entre outros), a função hormonal, reserva de substâncias (ferritina) e a função de defesa (anticorpos, fibrinogênio,…).

Além disso, o aminoácido age nas células do nosso organismo atuando na síntese proteica. Ou seja, quanto mais aminoácidos oferecer ao meu paciente mais ativação em sua via intracelular terá (via MThor).

Quanto mais idoso for o paciente, menor será a sua ingesta calórica e proteica proporcionando  uma perda de massa muscular maior, e além disso, esses pacientes apresentam a qualidade desse músculo prejudicada, apresentando mais gordura intramuscular. 

Hoje já sabemos que quanto mais desnutrido se encontrar o paciente, pior será o seu prognóstico. Existe uma íntima relação entre a ingesta proteica e a produção de massa muscular. Se essa relação for positiva, encontramos uma maior manutenção do músculo e da capacidade funcional do mesmo. Porém, existem pacientes que além dessa Sarcopenia Primária, apresentam outras comorbidades associadas, assim estimulando o catabolismo e a resistência anabólica nas células do organismo.

Pacientes com a oferta proteica adequada apresentam sua capacidade funcional e de sobrevivência melhorada, assim como, a sua imunidade e cicatrização. Porém, na prática clínica não existe um método padrão ouro para mensurar as necessidades proteicas e gasto energético. Atualmente utilizamos o Balanço Nitrogenado, que calcula o Nitrogênio ingerido e o excretado em 24h. Para a realização desse cálculo, devemos contabilizar outras perdas de Nitrogênio pois apenas 84% dessas perdas ocorre através da urina e os demais 20% acontece através de outras formas de excreção, o que é estimado pelo profissional.

Na prática clínica utilizamos recomendações sugeridas pelos guidelines (conforme lista abaixo) como a forma mais rápida e prática de calcular necessidades proteicas:  

 

Idoso 1,0 - 1,5g/Kg/dia (busca diminuir perda de massa muscular)

Paciente não idoso (internado na UTI que busca recuperação de massa muscular)1,2-2,0g/Kg/dia

Po múltiplas comorbidades > 1,0g/Kg/dia

Pacientes críticos: Aspen 2016 1,2g/Kg/dia

                              Braspen 2018 1,5g/Kg/dia

                              Espen 2018 1,3g/Kg/dia

Paciente Oncológico 

Em tratamento antineoplásico > 1,0g/Kg/dia

Com algum grau de desnutrição 1,2 - 1,5g/Kg/dia

Com Câncer paliativo 1,2-1,5g/Kg/dia

Sobreviventes do Ca 0,8 - 1,0g/Kg/dia

 

Paciente Cirúrgico >1,2g/Kg/dia

 

Paciente Obeso Aspen 2016 2,0g/Kg/dia (peso ajustado - IMC 27,5)

                                         2,5g/Kg/dia (peso ajustado - IMC >40)

                          Espen 2018 1,3g/Kg/dia (peso ajustado)

 

 

Fonte : Aspen 2016; Espen 2018; Braspen 2018

 

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