O papel emergente dos ácidos graxos ômega-3 como opção terapêutica nos transtornos neuropsiquiátricos

 

A prevalência de doenças neurológicas e psiquiátricas vem aumentando há décadas e a nutrição foi recentemente reconhecida como um fator importante para a prevenção e tratamento de transtornos neuropsiquiátricos.  Os ácidos graxos poliinsaturados ômega-3 (ácidos graxos n-3), eicosapentaenóico (EPA) e ácido docosahexaenóico (DHA) desempenham papéis críticos na função das células neuronais e na neurotransmissão, bem como reações inflamatórias e imunológicas que estão envolvidas nos estados de doença neuropsiquiátrica.  

Diversos estudos sugerem efeitos benéficos dos AGPIs n-3 em quase todas as condições médicas, incluindo distúrbios neurológicos e psiquiátricos. Tais estudos descobriram que populações árticas mais isoladas com estilos de vida e dietas tradicionais têm menores taxas de depressão, ansiedade e tendências suicidas do que populações menos isoladas ou não-árticas.  Esses achados foram associados a fatores relacionados à dieta, isto é, ingestão de n-3 PUFA.

O efeito dos PUFAs n-3 nos distúrbios neuropsiquiátricos é baseado em seu papel crucial no funcionamento das células neuronais.  O desequilíbrio lipídico nos processos bioquímicos intracelulares e nas membranas celulares neuronais pode levar a alterações no funcionamento cerebral que podem causar ou agravar distúrbios neuropsiquiátricos.

Uma conexão entre fatores nutricionais e distúrbios neuropsiquiátricos deve ser considerada.  Numerosos estudos epidemiológicos mostraram uma forte correlação entre o baixo status de PUFA n-3 e maior prevalência e gravidade de diferentes transtornos neuropsiquiátricos.  Atualmente, os PUFAs n-3 parecem ser mais úteis em abordagens preventivas de longo prazo do que no tratamento de episódios agudos. 

A medição de n-3 PUFAs no sangue para fins de diagnóstico, avaliação de risco e monitoramento de drogas terapêuticas é barata e já está disponível em muitos laboratórios.  O uso de n-3 PUFAs como uma opção terapêutica no tratamento de distúrbios neurológicos e psiquiátricos pode ainda ser incipiente, mas seu potencial terapêutico, perfil de segurança favorável, facilidade de administração e baixos custos de tratamento são promissores.  O número crescente de estudos clínicos e outros trabalhos de pesquisa sugerem que a suplementação com PUFAs n-3 pode desempenhar um papel maior no futuro tratamento de transtornos neuropsiquiátricos.

 

Fonte: The emerging role of omega-3 fatty acids as a therapeutic option in neuropsychiatric disorders. Ther Adv Psychopharmacol 2019, Vol. 9: 1–18

Deixe seu comentário.