Nutrição clínica na cirurgia

 

A alimentação oral precoce é o modo preferido de nutrição para pacientes cirúrgicos. A prevenção de qualquer terapia nutricional suporta o risco de subalimentação durante o período pós-operatório. Considerando que a desnutrição e a subalimentação são fatores de risco para complicações pós-operatórias, a alimentação enteral precoce é especialmente relevante para qualquer paciente cirúrgico com risco nutricional, especialmente para aqueles submetidos a cirurgia gastrointestinal superior.

No inicio desse ano saiu a nova Diretriz da Sociedade Européia de Nutrição Parenteral e Enteral (ESPEN) em cirurgia com foco nas orientações para cobrir os aspectos nutricionais do conceito de recuperação após a cirurgia (ERAS) e as necessidades nutricionais especiais de pacientes submetidos a cirurgias importantes.

Abaixo um resumo das principais recomendações:

 

Jejum pré-operatório

O jejum pré-operatório a partir da meia noite é desnecessário na maioria dos pacientes.

Pacientes que não tenham nenhum risco específico de broncoaspiração devem utilizar líquidos claros 2 horas antes da cirurgia e sólidos 6 horas antes da anestesia.

Para reduzir o desconforto perioperatório, incluindo a ansiedade, deve ser administrado solução oral com carboidratos até duas horas antes da cirurgia.

 

Indicação de TN pré-operatória

Recomenda-se avaliar o estado nutricional antes e após a cirurgia de grande porte. A reavaliação regular do estado nutricional durante a internação e, se necessário, após a alta é aconselhado para pacientes que receberam terapia nutricional perioperatória e que ainda não atingiram adequadamente suas necessidades energéticas via oral.

A terapia nutricional perioperatória está indicada em pacientes com desnutrição ou risco nutricional. Assim como, para pacientes com ingestão oral baixa (< 50% da necessidade) por mais de sete dias. Nessas situações, recomenda-se iniciar preferencialmente pela via digestiva através da suplementação oral, sempre que possível e de maneira precoce.

Devem ser administrados suplementos nutricionais orais a todos os pacientes de alto risco nutricional submetidos a cirurgia abdominal de grande porte. Um grupo especial de pacientes são os idosos com sarcopenia.

Os pacientes com risco de desnutrição devem receber tratamento nutricional antes da cirurgia durante 7 a 14 dias mesmo que a cirurgia, incluindo as oncológicas, tiver que ser adiada.

 

Dieta oral pós-operatória

Na maioria dos casos, a dieta oral deve ser reiniciada precocemente no pós-operatório.

Recomenda-se adaptar a ingestão oral de acordo com a tolerância individual e o tipo de cirurgia realizada, especialmente em idosos.

A ingestão oral, incluindo líquidos claros, deve ser iniciada horas após a cirurgia na maioria dos pacientes.

 

Uso de dieta enteral imunomoduladora

A administração peri ou pelo menos pós-operatória de fórmula específica enriquecida com (arginina, ácidos graxos ômega-3 e nucleotídeos) devem ser administradas em doentes desnutridos que forem realizar grandes cirurgias por câncer.

Não existem atualmente provas claras da utilização exclusiva destas fórmulas imunomoduladoras versus suplementos nutricionais orais padrão no período pré-operatório. Porém, suplementos nutricionais orais de modulação imunológica incluindo (arginina, ácidos gordos ómega-3 e nucleotídeos) podem ser preferidos e administrados durante cinco a sete dias no pré-operatório.

 

Terapia de Nutrição Pós Operatória

Com especial atenção aos doentes desnutridos, a colocação de uma sonda nasojejunal ou jejunostomia deve ser realizada no intra operatório, principalmente para pacientes submetidos a cirurgia de trato gastrintestinal alto e pâncreas. A utilização desta sonda para alimentação deve ser iniciada no prazo de 24 horas após a cirurgia.

Recomenda-se iniciar a alimentação pós-operatória com uma baixa taxa de infusão (por exemplo 10 – 20 ml / h) e aumentar a taxa de alimentação cuidadosamente e individualmente conforme tolerância intestinal. O tempo para atingir a meta pode variar bastante, levando de cinco a sete dias.

Se for necessário a utilização de uma sonda por longo prazo (> 4 semanas), deve-se indicar a passagem de gastrostomia percutânea endoscópica.

Weimann A, Braga M , Carli F, Higashiguchi T, Hübner M, Klek S, Laviano A, Ljungqvist O, Lobo DN, Martindale R, Waitzberg D, Bischoff SC, Singer O. ESPEN Guideline: Clinical Nutrition in Surgery. Clinical Nutrition 2017, in press.

 

 

Deixe seu comentário.