A importância da microbiota intestinal na saúde do lactente

 

Estima-se que o número de bactérias que habitam o intestino é dez vezes superior às células do organismo humano. Essa extraordinária coleção de material genético, denominado “microbiota”, contém cem vezes mais genes do que o genoma humano.

A ecologia intestinal é mantida às custas do equilíbrio existente entre os germes patobiontes, eubiontes e simbioses, além, é claro, de nosso sistema imunológico. Esse equilíbrio é conhecido como eubiose, que por sua vez caracteriza a eutrofia, ou seja, a manutenção da saúde.

O desenvolvimento da microbiota ocorre principalmente durante a infância e suas alterações estão relacionadas a uma grande variedade de doenças. As funções digestivas e metabólicas da microbiota consistem na facilitação da absorção de minerais como cálcio, fósforo e ferro, bem como na regulação da absorção de água e eletrólitos nos cólons.

Durante e após o nascimento o RN coloniza-se com bactérias aeróbias e anaeróbias provenientes do canal de parto, da pele da mãe e do meio ambiente. O Leite Materno (LM) não é estéril e contém diversos tipos de bactérias como Staphyloccoccus sp, Streptococcus sp, Enterococcus sp e diversas espécies de lactobacilos e bifidobadtérias que apresentam feitos na imunomodulação da mucosa intestinal, ocasionando aumento na atividade das células natural killers e na produção de macrófagos ativados de fagócitos que promovem secreção da IgA. O leite humano maduro contém aproximadamente 130 tipo de galacto-oligossacarídeos na concentração de 5-13g/dL e maiores concentrações no colostro (24g/dL). Parte da lactose e dos oligossacarídeos não sofrem a ação enzimática digestiva e penetra diretamente no intestino servindo de substrato para o crescimento dos lactobacilos e das bifidobactérias por meio do processo fermentativo. Além disso, no LM são encontradas estruturas fucosílicas, galactosílicas e sialílicas, que supostamente contribuem para uma microbiota saudável.

O consumo de probióticos e prebióticos pelos RN podem contribuir para a homeostase imunológica, promovendo a eubiose e interagindo com o sistema imune da mucosa, explicando seu efeito no tratamento dos processos infecciosos, alérgicos e nas doenças  imunomediadas. Porém, ainda são necessários mais estudos para melhor entendermos todos os mecanismos envolvidos.

 

Referências Bibliográficas

  1. ILSI Europe. ILSI Europe Concise Monograph Probióticos, Prebióticos e a Microbiota Intestinal. ILSI Europe, Brasil, 2013. 
  2. ESPGHAN Committee on Nutrition: Supplementalion of Infant Formula With Probiotics and/or Prebiotics. JPGN 2011; 52:238-250.
  3. Thomas DW, Frank R. Greer and Committee on Nutrition : Probiotics and Prebiotics in Pediatrics. Pediatrics 2010; 126; 1217-1231
  4. Vael C. The importance of the development of the Intestinal Microbiota in infant.
Deixe seu comentário.