Metabolismo proteico no paciente idoso

 

 

O aumento na expectativa de vida tem trazido novos desafios à saúde pública, sobretudo nos países em desenvolvimento. Enquanto a população mundial cresce à taxa de 1,7% ao ano, a população de idosos aumenta 2,5% ao ano.

Considerando que a idade cronológica é o mais robusto preditor do padrão de morbimortalidade entre idosos, é de se supor que esse envelhecimento populacional brasileiro exija mudanças profundas não somente na carga de doenças, mas também no tipo e na quantidade de serviços de saúde oferecidos a essa população.

Os pacientes idosos são responsáveis por 42% a 52% das admissões em UTI e consomem cerca de 60% das diárias disponíveis. Ressalta-se ainda que a maioria desses dias sejam gastos imediatamente antes de morrer. As principais causas definidas de mortalidade entre idosos brasileiros são as doenças do aparelho circulatório (35%), as neoplasias (19%) e as doenças do aparelho respiratório (9%), o que representa cerca de 60% do total de óbitos em ambos os sexos.

Naturalmente esses pacientes idosos apresentam uma resistência anabólica, uma dificuldade muito grande em fazer síntese proteica, e ao mesmo tempo são pacientes que fazem muito catabolismo, utilizando a proteína como fonte de energia e acabam utilizando a proteína muscular para suprir as suas necessidades. Esse acaba sendo o principal motivo da perda de massa muscular entre os idosos, resultando em um balanço nitrogenado negativo.

A resistência anabólica dos pacientes idosos internados nas UTIs é maior, necessitando de um aporte proteico maior para sintetizar proteína. Lembrando que esse paciente idoso já interna na UTI com uma redução da massa muscular, o que piora o quadro clínico. O processo de degradação proteica muscular já inicia no paciente idoso no primeiro dia de internação, sendo caracterizado como um processo precoce e rápido. A necessidade aumentada de proteína nesses pacientes torna-se imprescindível juntamente com exercícios de resistência, como uma fisioterapia precoce.

Estudos sistemáticos apontam a importância de uma oferta maior de proteína entre 2,0 - 2,5g/ptn/kg em situações de maior catabolismo, isso acontece principalmente porque o paciente idoso não responde a baixas ofertas proteicas em função da sua resistência anabólica.

A oferta proteica deve ser proveniente de proteínas rica em Leucina, principal estimulador da via mTOR, para assim fazer com que a síntese proteica seja mais efetiva.

 

Fonte: Phillips SM et al. Protein Turnover and Metabolism in the Elderly Intensive Care Unit Patient. Nutr Clin Pract 2017.

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