Porque evitar o jejum pré-operatório prolongado?

 

A revisão de livros-texto do século passado mostra que o dogma do jejum pré-operatório de 8 a 12 horas foi instituído a partir do relato de casos de aspiração broncopulmonar em situações cuja indução anestésica se deu em operações de urgência e emergência. Esse conceito foi ampliado para as operações eletivas a partir de outro trabalho, da década de 1950, que decidiu máximo de 25 ml de conteúdo gástrico para assegurar que não haveria risco de aspiração brônquica durante a indução anestésica. Desde então, a prescrição do jejum prolongado tem sido um dogma que continua a ser passado de geração para geração, na formação do cirurgião e anestesista.

No Brasil, o estudo BIGFAST mostrou que aproximadamente 50% dos casos são operados com mais de 12 horas de jejum. Com esse jejum, o paciente começa sua operação metabolicamente instável com grande resposta metabólica ao jejum e com resistência insulínica já presente. Isso agrava ainda mais a resposta metabólica e inflamatória ao trauma que se segue a operação propriamente  dita. Além disso, especialmente em pacientes pediátricos isso causa irritabilidade, mal estar e desconforto no pré-operatório e aumenta a necessidade de fluidos intravenosos antes da operação. 

Existem fortes evidências de que o uso de líquidos contendo carboidratos e uma fonte nitrogenada até 2h ou 3h antes da indução anestésica seja benéfico. A proteína do soro do leite tem sido testada junto com carboidratos na abreviação do jejum mostrando ser segura em vários estudos.

Estudos mais recentes mostram que os grupos que podem se beneficiar com a abreviação do jejum são aqueles compostos por pacientes submetidos por exemplo a cirurgias cardíacas, ortopédicas, torácicas, ginecológicas, pediátricas e bariátrica

 

Referências:

  1. Oliveira KGB, ET AL. A abreviação do jejum pré-operatório para duas horas com carboidratos aumenta o risco anestésico? Rev Bras Anestesiol. 2009; 59(5): 577-84
  2. Aguilar Nascimento JE, et al. Actual preoperative fasting time in Brazilian hospitais: The BIGFAST Multicenter Study. The Clin Risk  Manag. 2014; 10:107-12
  3. American Society of Anesthesiologists Task Force on Preoperative Fasting Practice guidelines for preoperative fasting and the use of pharmacologic agentes to reduce the risk of pulmonar aspiration: application to healthy patients undergoing elective procedures: a report by the American Society of Anesthesioologist Task Force on Preoperative Fasting. Anesthesiology 1999; 90(3):896-05
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