Intervenção Nutricional no Idoso

 

A avaliação do consumo alimentar é um dos aspectos mais difíceis a serem considerados na avaliação nutricional, em razão da dificuldade em quantificar e detalhar os alimentos consumidos. No caso do uso do método de inquérito do recordatório de 24 horas, devem-se considerar os possíveis déficits de memória que ocorrem para indivíduos idosos.

Várias alterações afetam o hábito alimentar do idoso de maneira significativa. O declínio da ingestão alimentar ocorre, em parte, pela perda da qualidade dos sentidos (olfato e paladar), da mastigação, da deglutição e por comprometimento da função gastrointestinal. Alguns estudos relatam que algumas modificações dietéticas na alimentação dos idosos podem ser necessárias em razão das mudanças fisiológicas que podem afetar a habilidade para digerir e absorver alimentos, os quais devem ser nutritivos e saborosos.

As Dietary Reference Intakes (DRIS), ou Ingestões Alimentares de Referência, apresentaram mudanças em relação às necessidades de micronutrientes para pessoas idosas. Vale ressaltar que essas recomendações são para idosos saudáveis, de modo que, neste consenso, deve-se considerar que idosos hospitalizados podem ter necessidades superiores.

A prevalência de gastrite atrófica está em torno de 40 a 50% dos idosos com idade superior a 80 anos. Nesse caso, recomenda-se o aumento no consumo de alimentos fontes de vitamina B12, fortificados ou suplementação alimentar. Há grande interesse na prevenção e no tratamento da deficiência de vitamina B12 entre idosos, porque sua deficiência pode resultar no aumento da concentração de homocisteína no plasma e, consequentemente, em aumento de doença vascular, prejuízo neurológico e disfunção cerebral.

Vários estudos têm demonstrado que, embora a ingestão de vitamina A por idosos esteja abaixo das recomendações, seus níveis séricos encontram-se normais, sugerindo a redução dos valores de referência atuais. 

Evidências indicam que a ingestão de proteínas em valor superior às Recommended Dietary Allowance (RDA) pode melhorar a massa muscular, a força e a funcionalidade, o estado imunológico, a cicatrização, a pressão sanguínea e a saúde óssea. Para idosos, se recomenda o consumo de 1,5 g de proteínas/kg/dia ou em torno de 15 a 20% do valor calórico total (VCT) ingerido, a fim de melhorar a funcionalidade.

É comum o idoso internado reduzir sua ingestão calórica por inapetência e/ou disfagia, o que pode levar a deficiências nutricionais. O agravante dessa situação é que apenas 10% deles terão capacidade de consumir quantidades suficientes de alimentos para corrigí-las.

A TN deve ser indicada com a finalidade de complementar ou suplementar as necessidades nutricionais e não deve ser utilizada como substituta das refeições ou como única fonte alimentar

Metanálises demonstraram que a TNO tem efeito positivo no estado nutricional, com ganho de peso, redução do tempo de permanência hospitalar e redução da mortalidade. Assim, a definição sobre a quantidade, a qualidade, a composição e a consistência da TNO deve ser individualizada segundo a morbidade, o estado nutricional, a aceitação alimentar e o grau de disfagia de cada paciente.

Cabe ao nutricionista e/ou fonoaudiólogo orientar e treinar o paciente e/ou seus cuidadores a utilizar tais propostas. Estudos confirmam que, se balanceada e bem preparada, a dieta adaptada à disfagia pode substituir a dieta usual sem impacto no estado nutricional, proporcionando refeições seguras e prazerosas

 

Fontes: I Consenso Brasileiro de Nutrição e Disfagia em idosos hospitalizados; Shuman JM. Nutrição no envelhecimento. In: Mahan LK, Escott-Stump S (orgs.). Krause – alimentos, nutrição e dietoterapia. São Paulo: Roca, 1998;  Santelle O, Lefévre AMC, Cervato AM. Alimentação institucionalizada e suas representações sociais entre moradores de instituições de longa permanência para idosos em São Paulo, Brasil. Cad Saúde Pública 2007; 23(12):3061-5.

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