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Disfagia Orofaríngea em Idosos

 

A disfagia orofaríngea (DO) tem sido relatada como uma condição altamente prevalente entre idosos residentes em instituições de cuidados a idosos, que vivem na comunidade e em ambientes hospitalares. As alterações anatômicas e fisiológicas que ocorrem nas estruturas relacionadas à deglutição, como resultado do processo normal de envelhecimento, estão bem documentadas. Com a adição de fatores estressores como doença ou cirurgia, a reserva funcional pode ser reduzida, assim como, o impacto na capacidade funcional de deglutição. A DO não só pode levar ao desenvolvimento de pneumonia por aspiração, desnutrição e desidratação, como também pode contribuir significativamente para um aumento do tempo de hospitalização e custos de saúde. A avaliação oportuna e o gerenciamento da DO em populações de risco são, portanto, essenciais para minimizar o impacto da DO. 

Com o objetivo de documentar a presença de DO após a cirurgia de fratura de quadril e os fatores associados à ela, Love AL et  al, recrutou 181 idosos (idade média de 84 anos) admitidos em uma unidade de ortogeriatria por fratura de quadril. Uma avaliação fonoaudiológica foi realizada em todos os participantes nas 72h subsequentes à abordagem cirúrgica. Disfagia orofaríngea foi identificada em 61 (34%) dos pacientes. A avaliação determinou suspensão completa da dieta oral em 3 (1,6%) dos pacientes, modificação de fluidos em 28 (16%) e modificação da textura de sólidos em 35 (19%). Os fatores associados de forma independente a maior risco de disfagia foram idade, antecedente de doença neurológica, presença de delirium, antecedente de doença respiratória e residência em instituição de longa permanência. Os autores concluíram que a DO está presente em grande parte da população mais velha que apresenta fratura de quadril. A identificação precoce da DO tem implicações importantes para a provisão de um tratamento oportuno da disfagia, que pode prevenir complicações secundárias e potencialmente reduzir o tempo de internação hospitalar.

 

Fonte: Love AL et al. Age Ageing. 2013 Nov;42(6):782-5.

Manejo Nutricional na Disfagia

A disfagia é definida como uma condição relacionada a comer ou beber, prejudicando a habilidade de engolir ou mastigar. Estima-se que aproximadamente 15% dos idosos, são afetados pela disfagia. A disfagia também é muito comum entre pacientes e residentes de asilos. O grupo de pessoas com disfagia é frequentemente deficiente cognitivamente devido à demência e à grande variedade de condições médicas que causam a disfagia, incluindo doenças agudas ou progressivas condições neurológicas, trauma, doença, cirurgia ou outros diagnósticos adicionais. O simples fato do envelhecimento é outro motivo de disfagia, pois a massa muscular e a força relacionada à deglutição, mudam naturalmente com o tempo.

Os indivíduos disfágicos frequentemente sofrem de desnutrição, podendo vir acompanhados de outros problemas, como constipação, desidratação, úlceras e anorexia, geralmente causados pela baixa ingestão de nutrientes, considerados essenciais.

As diretrizes da ESPEN sobre nutrição em pessoas idosas reconheceram a Disfagia como uma das principais causas de ingestão nutricional prejudicada nessa população. Apesar de todas essas recomendações, ambas as condições continuam sendo subestimadas e subdiagnosticadas e podem ser consideradas condições negligenciadas entre idosos e pacientes neurológicos.

Três tipos de desnutrição foram descritos: desnutrição relacionada à fome, desnutrição crônica relacionada a doença e doença aguda ou desnutrição relacionada a lesões. A desnutrição relacionada à fome desenvolve-se em situações de deficiência crônica de energia e proteína, mantendo uma relação entre a quantidade de energia e proteína. A desnutrição crônica relacionada à doença é caracterizada pela presença de inflamação crônica de grau leve a moderado e por um grau variável de redução na ingestão de alimentos devido à anorexia associada à doença. A doença aguda ou desnutrição relacionada a lesões é caracterizada por inflamação aguda e grave, o que prejudica a capacidade de usar nutrientes introduzidos pela dieta ou infundidos por nutrição artificial.

Promover nutrição adequada para indivíduos disfágicos é um desafio, no entanto, sua alimentação pode ser facilitada através da modificação na textura dos alimentos e espessamento dos líquidos ingeridos. Para evitar a desnutrição, nutricionistas e fonoaudiólogos devem ser envolvidos para avaliar a disfagia e recomendar as texturas mais adequadas para cada nível da doença.

Bebidas espessadas podem ser preparadas especialmente para o tratamento da disfagia e, em geral, os líquidos espessados são produzidos pela adição de um ou mais agentes espessantes, tais como amidos modificados ou gomas.

Alimentos sólidos e semi-sólidos modificados são prescritos para promover deglutição segura e nutrição adequada em pacientes com disfagia. Sólidos e semi-sólidos são modificados de tal forma que suas texturas são adequadas para a habilidade de deglutição e palatabilidade de um paciente. No entanto, é evidente que ainda faltem diretrizes fortes e universalmente padronizadas para descrever a mudança mais adequada dos alimentos. 

As seguintes propriedades de textura dos alimentos foram consideradas as mais significativas para caracterizar a modificação de alimentos sólidos e semi sólidos para pacientes com disfagia, por exemplo, adesividade, coesão, firmeza, dureza, elasticidade, viscosidade e estresse de produção.

A compreensão das propriedades texturais acima é primordial para desenvolver terminologias e características padronizadas de alimentos sólidos e semi-sólidos modificados para pacientes com disfagia. A necessidade de padronização de alimentos modificados por textura é uma área que necessita de maior foco. Em uma tentativa de padronização, diferentes estudos e organizações agruparam alimentos sólidos e semi-sólidos modificados por textura em diferentes níveis de disfagia.

Newman e colaboradores, 2016 e Steele et al., 2015), concluíram que existem evidências clínicas que mostram que o aumento da viscosidade do bolo alimentar reduz o risco de invasão das vias aéreas (isto é, penetração e aspiração) e que essa prática é uma estratégia de gerenciamento válida para Disfagia.

E que não há evidências clínicas suficientes que permitam definir níveis de viscosidade e, portanto, estágios que podem predizer um processo de deglutição seguro e, portanto, desfechos clínicos. Nos casos em que os níveis de viscosidade são propostos, não há consenso em termos de taxas de cisalhamento que devem ser usadas para relatar viscosidades de cisalhamento de alimentos. Novos ensaios clínicos randomizados controlados devem ser realizados com o objetivo de identificar níveis ou estágios de viscosidade, ideal para cada fenótipo de pacientes disfágicos.

 

Fonte: National Dysphagia Diet Task Force, 2002