RSS

Blog

Microbiota intestinal e asma infantil

Nos últimos 50 anos a prevalência de asma tem aumentado consideravelmente, e durante esse período tivemos um aumento no entendimento da doença. A hipótese “higiene” sugere que o meio onde essas crianças estão crescendo está muito limpo e há falta de exposição precoce aos microorganismos. Portanto, as crianças estão desenvolvendo um sistema imunológico super responsivo. 

É interessante notar que a asma não está crescendo na mesma velocidade entre os países desenvolvidos e os em desenvolvimento. Se destaca a influência dos fatores de onde essas crianças vivem, crianças que nascem e crescem em fazendas apresentam uma diminuição do risco de desenvolver asma, como crianças amamentadas no peito. Por outro lado, crianças que nascem em países desenvolvidos têm seu contato reduzido com micróbios, apresentando um aumento no risco de desenvolver asma, assim como, crianças cujo as mães fizeram uso de antibióticos na gestação. Crianças que utilizaram antibióticos durante o primeiro ano de vida também apresentaram um risco maior de desenvolver asma.

Recentes estudos experimentais têm identificado  uma janela crítica no início da vida, durante a qual os efeitos das alterações microbianas do intestino (disbiose) são mais influentes no desenvolvimento imunológico e na asma.  Alterações no microbioma intestinal e em compostos derivados de micróbios do intestino, incluindo ácidos graxos de cadeia curta (SCFA), têm sido implicados em várias doenças, incluindo a asma.

No entanto, a pesquisa atual ainda precisa estabelecer se essas mudanças precedem a asma e se elas estão envolvidas na asma humana.  O laboratório de Arrieta comparou a microbiota intestinal de crianças inscritas no Estudo de Desenvolvimento Longitudinal de Crianças Saudáveis ​​do Canadá.  Este trabalho forneceu evidências de que bebês com risco de asma ativa na idade escolar exibem disbiose microbiana intestinal durante os primeiros 100 dias de vida, o que não é mais evidente em um ano de idade.  A abundância relativa de quatro gêneros bacterianos foi surpreendentemente baixa em crianças que desenvolveram atopia e chiados. 

Outro estudo realizado no Equador, resultados similares foram encontrados sugerindo que a  presença de espécies diferentes de bactérias está associada com o risco de asma em bebês de apenas 3 meses de idade. 

 
 
Fonte: WhiteBook 5th Annual Forum Better Foods for Better Health
 
Efeitos protetores do microbioma contra os antibióticos

 

Existe uma relação simbiótica entre a microbiota intestinal e o hospedeiro. A microbiota apresenta funções metabólicas (enzimas, vitaminas, fermentação) e de barreira. Em resposta à microbiota, as células da mucosa intestinal apresentam alterações na expressão gênica e na função imune intestinal. 

Os fatores que impactam o microbioma são a dieta, os medicamentos, a localização geográfica, os estágios do ciclo de vida, o processo de nascimento, o método de lactação do bebê e o estresse, seja causado pelo exercícios intensos, seja por questões metabólicas ou psicológicas. Entre os medicamentos, os antibióticos apresentam grande impacto na microbiota intestinal.

Os pacientes críticos tratados com múltiplos antibióticos apresentam alterações em seu microbioma. Em um estudo em que foram analisadas fezes desses pacientes, avaliou-se o perfil de resistência antibiótica dos patógenos isolados. Nos pacientes controles (saudáveis), havia dominância de Fimircutes e Bacteroidetes, e a Proteobacteriapermaneceu baixa. Nos pacientes da unidade de terapia intensiva (UTI), 50% tinham dominância de Proteobacteriaou Fimircutes em determinado período. Em 3 pacientes de UTI, as Proteobacterias substituíram totalmente os Fimircutes.

Essa dominância das Proteobacterias persistiu em outros dois pacientes, e constatou-se que, em todos os pacientes que faleceram ou receberam alta, era a bactéria que predominava nas fezes.

Os antibióticos eliminam as bactérias patogênicas e reduzem a diversidade da microbiota, além de alterar a expressão genética e proteica dos peptídeos antimicrobianos e da permeabilidade intestinal. Algumas bactérias comensais são alteradas com a infecção por C. difficile, caso da redução de Clostridia, uma bactéria produtora de butirato, e do aumento de Enterococcus e Lactobacillus. Também ocorrem alterações dos ácidos graxos de cadeia curta, com redução do butirato e do acetato e aumento dos níveis de lactato e succinato.

 

Fonte: Zaborin et al. Membership and behavior of ultra-low-diversity pathogen communities present in the gut of humans during prolonged critical illness. 2014 Sep; 5(5).

Antharan et al. Intestinal dysbiosis and depletion of butyrogenic bactéria in Clostridium difficille infection and nosocomial diarrhea.J Clin Microbiol. 2013 Sep. 51(9).