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Intolerância à Lactose: qual o tratamento?

 

A lactose é um dissacarídeo que é abundante no leite de mamíferos e essencial para a nutrição de recém-nascidos. É hidrolisado pela enzima lactase em açúcares absorvíveis, glucose e galactose. Na maioria das crianças, a atividade da lactase intestinal é máxima durante o período perinatal; entretanto, após 2 a 12 anos de idade, dois grupos distintos emergem, isto é, um grupo com “Intolerância à lactose com hipolactasia secundária” e um grupo com “Intolerância à Lactose tipo adulto”. Nos pacientes com hipolactasia secundária, que geralmente ocorrem no lactente, o quadro clínico predominante é de diarréia fermentativa. Podem ocorrer vômitos esporádicos e desidratação. Além disso, estão presentes as manifestações típicas da doença de base. Já nos pacientes com hipolactasia tipo adulto acontece a redução dos níveis desta enzima após o período de lactância, à semelhança do ocorrido em todos os demais animais mamíferos. O quadro clínico difere dos demais tipos de hipolactasia, provavelmente devido à ocorrência em idade mais avançada. Nestes casos, os sintomas mais comuns são: dor abdominal, eructação, flatulência e diarréia leve. 

Quanto falamos no tratamento dos pacientes com Intolerância secundária, a lactose deve ser retirada por cerca de quatro semanas, esperando a recuperação da mucosa neste período, pelo tratamento da doença de base. Na doença celíaca com lesão intestinal grave, pode ser necessária a restrição mais prolongada.

Já nos pacientes com Hipolactasia do adulto os mesmos apresentam apenas redução significativa da lactase e  não ausência da enzima. Consequentemente, a maioria dos indivíduos tolera cerca de 12 a 15 gramas de lactose (cerca de 300 ml de leite), parcelado em duas tomadas. A restrição absoluta de leite e derivados pode levar à predisposição de osteopenia e osteoporose, pelo baixo aporte de cálcio. Além disso, a proteína láctea pode ser necessária em situações de falta de outros alimentos proteicos na dieta e alguns indivíduos desenvolvem mecanismo de tolerância por adaptação colônica.

A redução na atividade da lactase causa uma má digestão primária da lactose, uma condição que ocasionalmente é assintomática. Quando os sintomas estão presentes, a intolerância à lactose é diagnosticada. É importante distinguir entre hipolactasia primária e causas secundárias de má digestão de lactose, incluindo doença celíaca, enterite infecciosa ou doença de Crohn, que têm implicações patogênicas e terapêuticas distintas. Além disso, a hipolactasia primária deve ser diferenciada da deficiência congênita de lactase, uma doença autossômica recessiva rara, com mecanismos moleculares únicos que afetam as crianças desde o nascimento.

Quanto mais intolerante for a pessoa, menor deve ser a quantidade do açúcar ingerido para que não ocorram sintomas. Saber se o alimento tem lactose e em qual teor é fundamental para o paciente. Para os casos mais graves, encontra-se leite e outros produtos com redução de 80% a 90% da lactose. No Brasil, muitos alimentos industrializados não têm informação sobre a presença de lactose e seu teor. O Projeto de Lei 2663/2003, que obriga que esta informação esteja nos rótulos, está na Câmara dos Deputados a mais de 15 anos.

Para superar estes limites, vários estudos foram realizados para encontrar abordagens alternativas, tais como β-galactosidase exógena, probióticos e administração da própria enzima lactase exógena retardando o tempo de trânsito gastrointestinal melhorando a adaptação do cólon.

 
Fonte: Atualização de Condutas em Pediatria / Departamentos Científicos SPSP
Alterações gástricas e a Terceira Idade - Qual o papel das enzimas digestivas?

 

A vida moderna permitiu que mais pessoas chegassem à terceira idade, e no futuro teremos cada vez mais idosos no mundo. Segundo dados do Fundo de Populações das Nações Unidas (Unfpa), atualmente uma em cada nove pessoas no mundo tem 60 anos ou mais. São 810 milhões de pessoas na terceira idade. Projeta-se que em menos de uma década esse número chegue a um bilhão e então duplique em 2050, quando os idosos serão 22% da população global. Também no Brasil a quantidade de idosos só aumenta. Em 2010 eles eram 10% da população, mas em 2050 deverão chegar a 30%, ou 64 milhões de pessoas.

Não há dúvidas de que a população com mais de 60 anos só aumenta no mundo todo, porém o que queremos saber é se as pessoas estão chegando na terceira idade com qualidade.

O processo de envelhecimento submete o organismo a diversas alterações funcionais e anatômicas, que irão repercutir nas condições de saúde e nutrição do indivíduo. Algumas dessas mudanças são progressivas e afetam a capacidade funcional do organismo, como a diminuição do metabolismo basal, perda ou ausência de peças dentárias, redistribuição da massa corporal, alterações no funcionamento digestivo, diminuição da percepção sensorial, sensibilidade à sede e diminuição da capacidade cognitiva. As alterações no aparelho digestivo quase sempre são ligadas a lentidão dos movimentos peristálticos, perda de enzimas digestivas, atrofia da mucosa gástrica com diminuição da produção de ácido clorídrico, baixa absorção de vitamina B12 e diminuição do tamanho do fígado.

Dentre os fatores metabólicos, as alterações gastrointestinais, hepáticas e renais merecem destaque. As alterações gastrointestinais ocorrem principalmente devido à alteração na estrutura e na função do estômago. Como consequência há diminuição da secreção salivar, redução da motilidade gástrica, queda na produção de suco e hormônios gástricos e enzimas digestivas. O resultado das alterações gastrintestinais é a deficiente absorção dos nutrientes, como a vitamina D, com consequente déficit na digestão, que se torna mais lenta e menos efeciente podendo também gerar mal-estar e  flatulência. 

Para melhorar essas desordens digestivas, amenizar intolerâncias alimentares e diminuir o desconforto gástrico, como flatulência e distensão abdominal, mal-estar e desconfortos intestinais a utilização de suplementação das enzimas digestivas é de extrema importância, pois contribui para uma melhor absorção de nutrientes e uma melhor digestão dos macronutrientes, assim, amenizando os distúrbios gastrointestinais apresentado pelos idosos.

 

Referências bibliográficas 

  1. Fundo de Populações das Nações Unidas - http://www.unfpa.org.br/novo/index.php/situacao-da-populacao-mundial
  2. Salgado JM. Nutrição na terceira idade. In: Brunet- ti, RF, Montenegro FLB. Odontogeriatria: noções e conceitos de interesse clínico. São Paulo: Artes Mé- dicas, 2002. p. 62-70.
  3. Sampaio LR. Avaliação nutricional e envelhecimen- to. Rev Nutr. 2004; 17(4): 507-514.