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Probiótico e Diarréia: Qual a relação?

 

A diarreia é uma complicação que ocorre com frequência em pacientes hospitalizados. Uma das principais causas é o uso de antibiótico, que provoca alterações na microflora intestinal. 

As complicações da diarreia podem ser graves, gerar problemas de pele, como lesão por pressão, perda de eletrólitos, desidratação e déficits nutricionais, que podem levar à desnutrição, acarretando atraso no processo de reabilitação do paciente e aumentando o tempo de internação.

O uso de antimicrobianos de amplo espectro proporciona maior condição do desenvolvimento de diarreia em pacientes mais propensos, como idosos, e pacientes internados previamente, que requerem mais cautela ao iniciar o tratamento.

 

Hoje podemos definir antibióticos como um produto químico orgânico de origem natural ou sintética que inibe ou mata bactérias patogênicas a baixas concentrações e possui toxicidade seletiva, isto é, toxicidade máxima para um patógeno e toxicidade mínima para o hospedeiro.

Não consideramos hoje os antibióticos como parte de uma estratégia interessante de modulação intestinal, embora haja estudos favoráveis ao potencial da rifaximina para tratar distúrbios intestinais. De modo geral, a exposição generalizada a antibióticos está associada ao surgimento de cepas resistentes e a uma variedade de efeitos gastrointestinais, hipersensibilidade e feitos adversos específicos de drogas, sendo a diarréia associada a antibióticos (DAA) incidente em 5% a 35% dos pacientes humanos. A reconstituição do microbiana humano a partir do tratamento com antibióticos é frequentemente lenta e incompleta e, em alguns casos, pode levar anos a reversão à configuração original.

A maioria das pesquisas até o momento indica benefícios nessa associação, sobretudo na prevenção da diarreia associada a antibióticos. Uma via de pesquisa interessante pode ter foco no emprego de probióticos personalizados, visando promover a proteção da mucosa sem comprometer a recolonoização do microbiana no usuário de antibióticos.

 

Fonte: BRASPEN J 2019; 34 (1): 100-8

Efeitos protetores do microbioma contra os antibióticos

 

Existe uma relação simbiótica entre a microbiota intestinal e o hospedeiro. A microbiota apresenta funções metabólicas (enzimas, vitaminas, fermentação) e de barreira. Em resposta à microbiota, as células da mucosa intestinal apresentam alterações na expressão gênica e na função imune intestinal. 

Os fatores que impactam o microbioma são a dieta, os medicamentos, a localização geográfica, os estágios do ciclo de vida, o processo de nascimento, o método de lactação do bebê e o estresse, seja causado pelo exercícios intensos, seja por questões metabólicas ou psicológicas. Entre os medicamentos, os antibióticos apresentam grande impacto na microbiota intestinal.

Os pacientes críticos tratados com múltiplos antibióticos apresentam alterações em seu microbioma. Em um estudo em que foram analisadas fezes desses pacientes, avaliou-se o perfil de resistência antibiótica dos patógenos isolados. Nos pacientes controles (saudáveis), havia dominância de Fimircutes e Bacteroidetes, e a Proteobacteriapermaneceu baixa. Nos pacientes da unidade de terapia intensiva (UTI), 50% tinham dominância de Proteobacteriaou Fimircutes em determinado período. Em 3 pacientes de UTI, as Proteobacterias substituíram totalmente os Fimircutes.

Essa dominância das Proteobacterias persistiu em outros dois pacientes, e constatou-se que, em todos os pacientes que faleceram ou receberam alta, era a bactéria que predominava nas fezes.

Os antibióticos eliminam as bactérias patogênicas e reduzem a diversidade da microbiota, além de alterar a expressão genética e proteica dos peptídeos antimicrobianos e da permeabilidade intestinal. Algumas bactérias comensais são alteradas com a infecção por C. difficile, caso da redução de Clostridia, uma bactéria produtora de butirato, e do aumento de Enterococcus e Lactobacillus. Também ocorrem alterações dos ácidos graxos de cadeia curta, com redução do butirato e do acetato e aumento dos níveis de lactato e succinato.

 

Fonte: Zaborin et al. Membership and behavior of ultra-low-diversity pathogen communities present in the gut of humans during prolonged critical illness. 2014 Sep; 5(5).

Antharan et al. Intestinal dysbiosis and depletion of butyrogenic bactéria in Clostridium difficille infection and nosocomial diarrhea.J Clin Microbiol. 2013 Sep. 51(9).