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Terapia Nutricional Domiciliar

  

 

A terapia nutricional domiciliar (TND) pode ser definida como assistência nutricional e clínica ao paciente em seu domicílio. Tem como objetivo recuperar ou manter o nível máximo de saúde, funcionalidade e comodidade do paciente e está associada à redução de custos assistenciais. A TND pode ser instituída em regime oral, enteral ou parenteral e deve ser parte do acompanhamento clínico de pacientes de média e alta complexidades. É considerada segura e tem relação custo-benefício satisfatória, quando bem indicada, com bom planejamento e monitoramento adequado por parte de equipe especializada.

Independentemente do cenário, todos os pacientes devem ser avaliados para que se determine a indicação da terapia nutricional domiciliar. Os médicos ou os Nutricionistas do hospital devem determinar a indicação para a terapia nutricional enteral domiciliar (TNED) ou para terapia nutricional parenteral domiciliar (TNPD) antes da transferência para o domicílio. 

Paciente em atendimento domiciliar pode encontrar-se já em estado de desnutrição ou pode tornar-se desnutrido durante a atenção domiciliar. A desnutrição é um achado comum em idosos residentes em casas de repouso e há relatos de que até 40% dos indivíduos apresentam desnutrição moderada a grave. A desnutrição apresenta consequências para o paciente e a sociedade em geral, estando associada ao aumento de novas internações hospitalares, assim como morbidade e mortalidade elevadas.

Em pacientes idosos desnutridos ou com risco de desnutrição, o uso de suplementos nutricionais orais aumenta a ingestão de energia, proteína e micronutrientes, mantendo ou otimizando o estado nutricional e melhorando a sobrevida. Idosos com índice de massa corpórea (IMC) > 28 kg/m2 têm menor risco de morte no período de 3 anos.

O fornecimento de calorias e proteínas via terapia nutricional em idosos desnutridos é efetivo na melhora da cicatrização de feridas e da função cognitiva, havendo também melhora do estado nutricional dos pacientes.

Os processos da assistência domiciliar devem ser padronizados, com revisão dinâmica e modificados conforme os indicadores de qualidade, que devem incluir não apenas a reinternação hospitalar, o tratamento e a mortalidade, como também a satisfação e a qualidade de vida do paciente e sua família.

O retorno para casa é um motivo de alegria, mas é também uma fonte de estresse e ansiedade. A família precisa se adaptar à nova situação, ao impacto da doença crônica combinado ao receio de reinternações hospitalares. Portanto, o treinamento deve iniciar-se no hospital ou no serviço de saúde e continuar no domicílio. As orientações precisam ser claras, objetivas e adequadas à escolaridade dos familiares. As intervenções devem ser multiprofissionais, envolvendo membros da equipe especializada, para preparar melhor os familiares, tanto para os cuidados na administração da fórmula, quanto sobre a solução de problemas, como no caso de deslocamento e obstrução da sonda. Além disso, a orientação para a aquisição de alimentos e equipamentos é importante, diminuindo as fontes de estresse vivenciadas pelos familiares.

Os familiares cuidadores, quando bem treinados e acompanhados, se tornam responsáveis na rotina de acompanhamento dos pacientes que recebem TNED.

 

Fonte: Sociedade Brasileira de Nutrição Parenteral e Enteral. Terapia nutricional domiciliar. 2011

Terapia Nutricional domiciliar: perspectivas futuras

 

Para gerenciar adequadamente os pacientes tratados em casa, se fazem necessárias mudanças na forma de educação e treinamento oferecida aos familiares e/ou cuidadores. Outros tipos de apoio e suporte técnico a essas pessoas devem ser identificados e satisfeitos para que assim os mesmos proporcionem cuidados de qualidade aos pacientes no domicílio.

Em 2013, Tappenden et al, sugeriram colocar em prática uma abordagem baseada em um plano de cuidados nutricionais pós-hospitalização que leva em conta chamadas telefônicas pós-hospitalização com o objetivo de assegurar a continuidade dos cuidados com os pacientes em Nutrição Enteral Domiciliar (NED). Também relatam a importância de revisar a formação dos profissionais, devido à ausência de formação adequada na graduação e na pós-graduação no que diz respeito às habilidades e competências, além da falta de educação para melhoria contínua. 

Encontra-se ainda a necessidade de apoio ao engajamento de sociedades afins à Terapia Nutricional Domiciliar, além de políticas e diretrizes em saúde pública que possam garantir o fornecimento da NED como parte do plano de cuidados desses pacientes.

 

Fonte: Tappenden KA, et al. Critical role of Nutrition in improving quality of care. J Acad Nutr Diet . 2013; 113(9): 1219-37.

A importância do planejamento da alta hospitalar

O planejamento da alta hospitalar é uma característica rotineira dos sistemas de saúde em muitos países. O objetivo do planejamento é reduzir a duração da permanência e da readmissão hospitalar não planejada. O plano individualizado pode promover reduções do tempo de permanência hospitalar e das taxas de readmissão para pessoas idosas internadas com diagnóstico clínico.

O início da educação e do treinamento deve começar a partir do momento em que a Nutrição Enteral Domiciliar é decidida. Deve começar no hospital ou no serviço de saúde e continuar no domicílio. As orientações precisam ser claras, objetivas e adequadas à escolaridade dos familiares e/ou cuidadores. As intervenções devem ser multiprofissionais.

A continuação dos cuidados que o paciente recebeu no hospital pode ser interrompida se não houver educação continuada. Na prática, pacientes e familiares e/ou cuidadores raramente recebem treinamento adequado sobre os cuidados nutricionais pela equipe do hospital.

Conforme Ashbaugh R, as informações essenciais que devem constar no programa de educação e treinamento sobre Nutrição Enteral Domiciliar (NED) são: 

  • O motivo da indicação da NED;
  • Os cuidados da via de acesso que se decidiu estabelecer;
  • Como se manipula e armazena a dieta enteral orientada;
  • O manejo do método de administração da NED;
  • Condutas em vigência das complicações mais frequentes;
  • Onde procurar ajuda no caso de complicações.

 

Fonte: Ashbaugh R. Nutr Hosp. 2014; 29 Supplement 3:28-33