RSS

Blog

Espessantes e o cuidado nutricional dos pacientes idosos

 

A população de idosos aumenta cada vez mais resultando em profundas mudanças na distribuição demográfica. Nos últimos 60 anos, houve acréscimo de 15 milhões de indivíduos idosos no País, passando de 4% para 9% do total da população brasileira.

Junto ao envelhecimento encontramos alterações profundas na composição corporal, há um aumento na massa de gordura corporal, especialmente com o acúmulo de depósitos de gordura na cavidade abdominal, e uma diminuição da massa corporal magra. Essa perda de massa magra relacionada com a idade, podemos chamar de Sarcopenia. 

Muitos pesquisadores relataram que a força dos músculos da deglutição diminui gradualmente com o envelhecimento ou sarcopenia e essa redução da pressão dos músculos está associada com a disfagia sarcopênica em idosos. Normalmente os idosos se adaptam a essas novas condições sem que haja interferência no estado físico, nutricional deste indivíduo.

O uso do espessante aparece como um grande coadjuvante na preservação da via oral e na prevenção da desidratação por sua capacidade de mudar as propriedades físicas dos alimentos.  O uso de espessante alimentício é um recurso utilizado para o espessamento de líquidos, modificando a textura dos alimentos, dando mais firmeza ou viscosidade ao alimento. Essa conduta é muito comum na prática fonoaudiológica, pois a deglutição de alimentos líquidos exige maior controle oral do que outras. De acordo com a padronização da National Dysphagia Diet (NDD), os líquidos podem ser espessados em três consistências néctar, mel e pudim, essas são definidas pelo fonoaudiólogo de acordo com o grau da disfagia do paciente.

A quantidade de espessante indicada para cada consistência dependerá das diferentes marcas presentes no mercado e da orientação do profissional nutricionista.

 

Fonte: Associação Brasileira de Disfagia

Por que usar espessantes alimentares?

 

A deglutição é o ato de conduzir o alimento da cavidade oral em direção ao estômago, não permitindo entrada de material nas vias aéreas.  Além de sua importância na nutrição, a deglutição está relacionada com aspectos culturais e sociais. Em nossa cultura, comer é um ato prazeroso e social. Assim, alterações na deglutição podem causar déficits nutricionais e prejudicar a socialização do indivíduo.

Para o bom funcionamento da deglutição, é necessário que haja a integridade de um complexo grupo de estruturas interdependentes, as quais executam um trabalho dinâmico e de curta duração que pode ser dividido nas seguintes fases: oral, preparatória, faríngea e esofágica. Durante o processo da deglutição, podem ocorrer alterações no seu processo fisiológico ou alterações anatômicas, podendo ocasionar alguns sintomas que irão caracterizar a disfagia.

As disfagias são alterações no processo da deglutição, caracterizadas por dificuldades da passagem do alimento da cavidade oral até o estômago. Quando ocorrem dificuldades ou perda das habilidades para deglutir, em geral há graves consequências que podem levar à desnutrição e até à morte, por comprometer a integridade das vias aéreas. Além dos danos metabólicos, a disfagia pode influenciar o estado emocional do paciente, causando estresse, depressão e isolamento social.

A textura, a consistência, a viscosidade, a adesividade, o grau de coesão, a firmeza e a densidade dos alimentos devem ser considerados na seleção da dieta oral antes de serem oferecidos aos pacientes. Deve-se iniciar a alimentação via oral com líquidos espessados, a fim de evitar ocorrência de refluxos. Preparações líquidas são contra-indicadas no início da reintrodução da alimentação via oral, pois os líquidos, por serem de baixa viscosidade, podem favorecer o risco de aspiração. A substituição da terapia nutricional enteral ou a reintrodução da alimentação oral deve obedecer a um esquema de evolução de consistência dos alimentos que a compõem, determinada por uma avaliação fonoaudiológica.

O uso de espessante alimentar ajuda a aumentar a viscosidade de soluções, emulsões e suspensões, sendo uma estratégia utilizada pelos fonoaudiólogos na terapia da deglutição, visto que a viscosidade e consistência do bolo alimentar geram mudanças na fisiologia deste processo. A deglutição do líquido, quando comparado a outras consistências, exige maior controle oral, aumentando o risco de aspiração laringotraqueal em algumas patologias. Nesses casos, o uso do espessante é essencial. 

 

Referências bibliográficas 

Silva, LBC; Ikeda, CM. Cuidado nutricional na disfagia: uma alternativa para a maximização do estado nutricional. Rev Bras Nutr Clin 2009; v.24, n.3, p: 203-210.

Anvisa

Ozaki K Kagaya et al. The risk of penetration or aspiration during videofluoroscopic examination of swallowing varies depending on Food types. Tohoku J Exp Med. 2010; 220(1):41-6.