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O uso de Probióticos na intervenção da Enterocolite Necrozante

 

A enterocolite necrotizante (NEC) é a doença grave mais comum do trato gastrointestinal em prematuros. Caracteriza-se por necrose da parede intestinal, de vários tamanhos e profundidades. A perfuração do intestino ocorre em um terço das crianças afetadas. Embora 5% a 25% dos casos ocorram em bebês a termo, é principalmente uma doença de recém nascidos prematuros, com a maioria dos casos ocorrendo em bebês de muito baixo peso (crianças com peso ao nascer <1500 g). A incidência de NEC varia em países e centros neonatais. Verificou-se que afeta até 10% de bebês de muito baixo peso.

A ocorrência de NEC está inversamente relacionada com a idade gestacional ao nascimento, devido à imaturidade intestinal fisiológica de neonatos prematuros. Portanto, por sabermos que os probióticos são um grupo de organismos capazes de melhorar este quadro clínico, a sua utilização em pediatria tem sido estudada para combater a progressão dessa e de inúmeras outras doenças.

Os probióticos mais utilizados na intervenção de NEC são os lactobacillus e os bifidobacterium. Existe um interesse crescente pelos potenciais benefícios para a saúde da colonização proativa do trato gastrointestinal de recém-nascidos prematuros.

Os mecanismos potenciais pelos quais os probióticos podem proteger os bebês de alto risco de desenvolver NEC ou sepse, ou ambos, incluem uma barreira aumentada para bactérias de migração e seus produtos através da mucosa, exclusão competitiva de potenciais agentes patogênicos, modificação da resposta do hospedeiro aos produtos microbianos, aumento das respostas das mucosas da imunoglobina A (IGA), aumento da nutrição enteral que inibe o crescimento de agentes patogênicos e elevação da regulação das respostas imunes.

Com o objetivo de avaliar as melhores evidências disponíveis na literatura para elucidar  os  benefícios  do  uso  de  probióticos  na  prevenção  de  enterocolite necrosante  (NEC)  e  de  suas  complicações  em  recém-nascidos  prematuros, Bernardo e tal, realizou uma revisão  sistemática  de  ensaios  clínicos  randomizados,  que  incluiu  pesquisas efetuadas  em  três  bases  de  dados  (MEDLINE,  EMBASE  e  LILACS). 

O conjunto de resultados mostrou, com dados consistentes, que a administração entérica de probióticos reduziu a incidência de casos graves de NEC, mortalidade e sepse, bem como apresentando um tempo menor até a reintrodução de alimentação oral e permanência de internação mais curta. Embora os números necessários para tratar em relação à profilaxia NEC (NNT = 25) e mortalidade (NNT = 34) foram relativamente altos, estes podem ser contrabalançados pela alta incidência de partos prematuros, especialmente em países com problemas socioeconômicos e culturais, e também pelo fácil manuseio e baixos custos relacionados aos probióticos. Com base nos dados disponíveis, pode-se inferir que os probióticos são outra ferramenta útil na prática clínica pediátrica. Algumas revisões sobre o assunto foram publicadas nos últimos anos e, de forma semelhante ao presente estudo, mostraram os benefícios da suplementação probiótica.

 

Fonte: Bernardo WM et al. Effectiveness of probiotics in the prophylaxis of necrotizing enterocolitis in preterm neonates: a systematic review and meta-analysis. J Pediatr (Rio J). 2013;89(1):18−24.

Probióticos na obesidade

 

A obesidade atingiu níveis pandêmicos e está se tornando um sério problema de saúde em todo o mundo. Nos países em desenvolvimento, a prevalência de obesidade triplicou nos últimos 20 anos devido à adoção de um estilo de vida ocidental.

A obesidade aumenta o risco de doenças cardiovasculares através da alteração nos níveis de diversos fatores de risco, como aumento dos triglicerídeos, lipoproteína de baixa densidade (LDL), do desenvolvimento da hipertensão arterial e elevação da glicemia e níveis de insulina. A etiologia da obesidade é multifatorial e envolve fatores dietéticos, genéticos, patológicos e de estilo de vida, no entanto, a contribuição específica de cada um desses fatores no desenvolvimento da obesidade ainda não é totalmente compreendida.

Evidências recentes indicam que a microbiota intestinal desempenha um papel crucial no peso corporal e massa gorda e, consequentemente, sugere uma associação entre a microbiota intestinal e a DM2. Os probióticos são microrganismos vivos que conferem um benefício à saúde do hospedeiro quando administrados em quantidades adequadas, embora bactérias mortas e componentes moleculares bacterianos também possam exibir propriedades probióticas. Estirpes pertencentes a Bifidobacterium e Lactobacillus são as bactérias probióticas mais usadas e estão incluídas em muitos alimentos funcionais e suplementos dietéticos.

Um estudo pré-clínico conduzido com ratos que receberam por 30 dias consecutivos Lactobacillus paracasei, Bifidobacterium breve e Lactobacillus rhamnosus mostrou uma redução da esteatose hepática, em parte por uma redução de lipopolissacarídeos no soro e um efeito anti-inflamatório em animais obesos. Um outro estudo investigou a eficácia da terapia probiótica em humanos, no qual mulheres com sobrepeso ou com obesidade (25<IMC<40) receberam uma mistura com os probióticos Lactobacillus acidophilus e Lactobacillus casei, Lactococcus lactis, Bifidobacterium bifidum e Bifidobacterium lactis durante 8 semanas. Os resultados mostraram que a suplementação foi capaz de reduzir a gordura abdominal dos indivíduos e aumentar a atividade enzimática antioxidante, quando comparada à intervenção dietética isoladamente.

Dessa forma, a hipótese de que a obesidade pode ser controlada pela modulação do intestino pode liderar o caminho para intervenções terapêuticas.

 

Fonte:

1) Plaza-Diaz J, Gomez-Llorente C, Abadia-Molina F, Saez-Lara MJ, Campana-Martin L, Munoz-Quezada S, Romero F, Gil A, Fontana L. Effects of Lactobacillus paracasei CNCM I-4034, Bifidobacterium breve CNCM I-4035 and Lactobacillus rhamnosus CNCM I-4036 on hepatic steatosis in Zucker rats. PLoS One. 2014;9(5):e98401.

2) Gomes AC, de Sousa RG, Botelho PB, Gomes TL, Prada PO, Mota JF. The additional effects of a probiotic mix on abdominal adiposity and antioxidant status: a double-blind, randomized trial. Obesity (Silver Spring). 2017; 25(1):30–8.