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Má nutrição no tratamento do Câncer


O câncer de esôfago é o oitavo câncer mais comum em todo o mundo, com uma sobrevida de em média 5 anos, e durante esse período, o estado nutricional desse paciente é desafiado pelos transtornos metabólicos induzidos pelo tumor e por tratamentos anticâncer. A desnutrição afeta até 80% dos pacientes e é multifatorial na etiologia. Os pacientes freqüentemente apresentam sintomas obstrutivos tardios, caquexia, perda de peso devido à doença localmente avançada.  

 A intervenção nutricional melhora o ganho de peso, o status de desempenho, a tolerabilidade do tratamento, a sobrevida global e a qualidade de vida desses pacientes.

Com o objetivo de identificar fatores prognósticos nutricionais e os resultados de sobrevida associados à intervenções nutricionais em pacientes oncológicos, o estudo SCOPE1 recrutou 258 pacientes para quimioterapia com ou sem Cetuximabe. A sobrevida global foi demonstrado como  significativamente pior em pacientes classificados com risco de desnutrição no início do estudo em comparação com pacientes sem risco. E os autores concluíram que o estado nutricional pobre, ou seja, pacientes de risco, estão associados a piores desfechos e a intervenção nutricional, que incluiu aconselhamento dietético, suplementação oral ou NE, pode melhorar a sobrevida desses pacientes.

Hoje há evidências suficientes para apoiar o conceito de que o manejo multimodal da caquexia pode estabilizar o estado nutricional independentemente da progressão tumoral.

 

Fonte: Role of nutritional status and intervention in oesophageal cancer treated with definitive chemoradiotherapy: outcomes from SCOPE1

Resistência insulínica e Recuperação Pós-operatória

Resistência à insulina se caracteriza pela insuficiência relativa do hormônio insulina no organismo, porém, pode ser prevenida e até curada. Quando uma pessoa se torna resistente à insulina, seu organismo tende a aumentar as taxas de açúcar (glicose) no sangue, podendo assim resultar em um estado de pré-diabetes ou mesmo em diabetes. É comum encontrar em pacientes pós -operatórios, aproximadamente até 3 semanas após operações abdominais eletivas e não complicadas, podendo chegar no seu pico entre o primeiro e o segundo dia  pós operatório. A resistência à insulina pode acontecer no pós operatório de qualquer cirurgia, seja ela de grande, médio ou pequeno porte, causando hiperglicemia independente do estado nutricional do paciente. Pode-se afirmar que a resistência à insulina é um ótimo marcador de estresse e a permanência do paciente no hospital está diretamente relacionado com esse marcador.

O jejum pré- operatório contribui para o aumento da resistência à insulina, piorando, dessa forma, o estresse metabólico perioperatório e quando prolongado, aumenta progressivamente a chance do cérebro consumir mais corpos cetônicos e menos glicose. Essa situação atrasa a recuperação do paciente devido ao aumento da resistência à insulina. 

Atualmente, encontramos estudos que mostram que a abreviação do jejum em diferentes cenários com bebidas contendo carboidratos e proteína do soro do leite, beneficia o paciente diminuindo a resposta inflamatória e a resistência à insulina.

O conhecimento dessas alterações associadas ao jejum, sugere a necessidade de se tentar minimizar o tempo de jejum pré- operatório, conforme recomendam as principais sociedades de anestesia, visto que a oferta de suplemento contendo Carboidrato é segura.

 

Fonte: Safe intake of an oral supplement containing carbohydrates and whey protein shortly before sedation to gastroscope. Nuts Hosp. 2014

Oferta proteica no paciente crítico

 

Apesar do notável avanço ocorrido nos últimos 30 anos, os cuidados aos pacientes críticos continuam sendo o maior desafio para todos os profissionais que atuam na Unidade de Terapia Intensiva (UTI).

As alterações do estado nutricional podem surgir como conseqüência do inadequado aporte de nutrientes ou como resultado de uma alteração do seu metabolismo. Em qualquer um dos casos segue-se a redução da massa corporal magra e a subseqüente perda de estrutura e funções dos órgãos e tecidos que a compõem. Em ambos os casos, a meta é prevenir que a desnutrição chegue a se converter em um co-fator importante na disfunção orgânica e na morbidade e mortalidade. Isto é possível quando se ofertam os nutrientes, ajustando-os em quantidade e qualidade para as exigências do hipermetabolismo, especialmente o catabolismo protéico, observado nessas circunstâncias.

Os estoques de proteínas tem caráter funcional dentro do corpo  humano,  o  que  exige  uma  ingestão  contínua  para  a manutenção da vida. A musculatura esquelética corresponde a aproximadamente 80% de toda a massa corpórea celular de um  indivíduo  saudável, o  estado crítico  agudo promove intensa  cascata  inflamatória,  que  ameaça  essas  reservas somáticas  e  pode  depletar  sensivelmente  a  musculatura esquelética. Essas considerações  reforçam as  recomendações  atuais de uma alta oferta proteica para o doente grave, onde as  novas  recomendações  de ingestão proteica para o doente crítico, giram em torno de 1,2 até 2 g ptn/kg por dia.

 

Fonte: Diretriz Brasileira de Terapia Nutricional no Paciente Grave - BRASPEN