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Cuidado do paciente crítico 

 

 

As alterações metabólicas nos pacientes críticos têm sido estudadas há mais de um século, mas a heterogeneidade da população de pacientes críticos, a duração e severidade variadas da fase aguda da doença e os muitos fatores de confusão impediram o progresso no campo.  Esses fatores podem explicar por que o manejo de alterações metabólicas e condições relacionadas em pacientes gravemente enfermos é guiado por muitos anos por recomendações baseadas essencialmente na opinião de especialistas.  Durante a última década, o entendimento das alterações metabólicas críticas relacionadas à doença evoluiu após avanços com base em novas descobertas e evidências clínicas de futuros ensaios clínicos randomizados (ECR). 

No entanto, a variação entre pacientes significa que ainda há incerteza substancial ao traduzir evidências no nível da população para indivíduos.  E a influência desses achados recentes no cuidado diário de pacientes críticos, com foco na nutrição no cuidado metabólico foi discutida na revisão “Metabolic support in the critically ill: a consensus of 19“. A mesma fornece uma revisão dos dados mais recentes nesse campo e um plano de fundo para promover esforços para abordar a necessidade de consistência internacional nas recomendações relacionadas ao tratamento metabólico do paciente crítico.

 

Fonte: Metabolic support in the critically ill: a consensus of 19

O estado nutricional está diretamente relacionado com o envelhecimento.

 

Algumas condições na população idosa são vistas com certa frequência, como a instabilidade postural e quedas, incontinência (urinária e fecal), incapacidade cognitiva (demência, delirium, depressão e doença mental), imobilidade e lesão por pressão. Essas podem determinar o surgimento de uma ou mais síndromes geriátricas, por condições multifatoriais, e associam-se à perda da independência e da autonomia. Pela sua frequência e importância para a saúde da população idosa, outras condições comuns têm sido descritas como insuficiência familiar, sarcopenia e fragilidade.

A Sarcopenia, caracteriza-se pela perda progressiva e generalizada da força e da massa muscular, que pode estar associada ao declínio da performance ou desempenho físico. Uma perda excessiva de massa muscular e força resulta em deficiência física, fragilidade, incapacidade e dependência, assim, prejudicando o estado nutricional do mesmo.

Muitos fatores relacionados ao envelhecimento e às comorbidades, contribuem para a ingestão insuficiente tanto de calorias quanto de nutrientes específicos. Com isso, frequentemente as pessoas idosas estão em risco de desnutrição. 

Algumas estratégias nutricionais devem ser utilizadas o mais breve possível fornecer as quantidades adequadas de calorias, proteínas, micronutrientes e líquidos, a fim de atender aos requisitos nutricionais e, assim, manter ou melhorar o estado nutricional durante o processo de envelhecimento.

 

Fonte: DIRETRIZ BRASPEN DE TERAPIA NUTRICIONAL NO ENVELHECIMENTO

Dieta, metabolismo, intestino e doença cardíaca

 

Os avanços no conhecimento sobre como a microbiota intestinal contribui para a saúde e para as doenças humanas, expandiram a percepção de como a composição e a função microbiana afetam o hospedeiro humano.  A insuficiência cardíaca está associada a congestão da circulação esplênica, levando a um edema da parede intestinal e prejuízo a função da barreira intestinal.  Sugere-se que esta situação aumente o estado inflamatório geral através do aumento da translocação bacteriana e da presença de produtos bacterianos na circulação sanguínea sistêmica.  

Vários metabólitos produzidos pelos microrganismos intestinais a partir do metabolismo da dieta têm sido associados a patologias como aterosclerose, hipertensão, insuficiência cardíaca, doença renal crônica, obesidade e diabetes mellitus tipo 2.  Esses achados sugerem que o microbioma intestinal funcione como um órgão endócrino, gerando metabólitos bioativos que possam afetar direta ou indiretamente a fisiologia do hospedeiro.  

Hoje já conhecemos novas vias metabólicas microbianas intestinais, incluindo a produção de N-óxido de trimetilamina e trimetilamina, ácidos graxos de cadeia curta e ácidos biliares secundários, que parecem participar do desenvolvimento e progressão de doenças cardiovasculares, incluindo  insuficiência cardíaca.  

Atualmente também se tem como alvo terapêutico, o microbioma intestinal, para o tratamento de doenças cardiovasculares e possíveis estratégias para direcionar processos microbianos intestinais.

 

Fonte: Dietary, metabolismo, the gut microbiome and heart failure

Rumo a um conceito mais compreensível para os prebióticos

 

Em 1995, se acreditava que os Prebióticos eram compostos somente pelos Frutooligossacarídeos (FOS) e que os benefícios eram somente para o Cólon. Na época, tínhamos como conceito de Prebiótico um ingrediente alimentar não digerível, que estimulava seletivamente a atividade de um número limitado de bactérias no cólon.

Já em 2008, passaram a conceituar os Prebióticos como um componente alimentar não viável que proporcionava benefício à saúde do hospedeiro associado à modulação da microbiota. Nesse ano já incluíram como exemplos de Prebióticos a  Inulina, FOS, GOS, SOS, XOS, IMO, lactulose, pirodextrinas, fibras alimentares, amidos resistentes e outros oligossacarídeos não digeríveis.

Em 2015 descobriram que os benefícios do uso dos Prebioticos não eram encontrados somente no Cólon e sim também no Intestino Grosso e no Intestino Delgado. E no mesmo ano começaram a aparecer as pectinas e os amidos resistentes, e a incluir como exemplos de Prebióticos, os grãos na sua integralidade. 

Para o “The International Scientific Association for Probiotics and Prebiotics (ISAPP)” para um alimento/ componente  ser considerado um Prebiótico tem que demonstrar um efeito benéfico no hospedeiro. Atualmente, já podemos dizer que comer comida de verdade é um dos melhores Prebióticos que conhecemos. 

 

Fonte: Towards a more comprehensive concept for Prebiotics

Alimentação dos idosos e suas dificuldades

Nas últimas cinco décadas, podemos observar que a população brasileira vem passando por mudanças nas taxas de mortalidade e fecundidade, caracterizadas por um aumento da expectativa de vida e, facilmente explicadas por fatores como: redução da mortalidade infantil, melhora nas condições de saúde, combate as doenças infectocontagiosas e queda na taxa de fecundidade. Consequentemente, a população brasileira vem cursando com um processo de envelhecimento rápido e exponencial, nunca visto anteriormente.

E esse processo de envelhecimento traz junto modificações fisiológicas, tais como alterações no paladar, no olfato, na mastigação, polimedicação e toda consequência da cascata medicamentosa, além das modificações na composição corporal com redução da massa magra e aumento do tecido adiposo. Hoje em dia, a prevalência de desnutrição em idosos domiciliados é de 1% a 15%, idosos internados nos hospitais entre 35% e 65% e nos idosos institucionalizados detecta-se desnutrição em 25% a 60%.

A dificuldade na mastigação e na deglutição são muito comuns nessa faixa etária. Isso aliado a perda da elasticidade do tecido conectivo do trato digestório superior, a redução na produção de saliva e a menor sensibilidade de paladar e olfato limitam a capacidade de ingestão e aumentam o risco de desnutrição em idosos.

Prover uma deglutição segura para indivíduos idosos é um desafio que pode ser facilitado com uso de recursos terapêuticos como a adaptação das dietas, com mudanças na consistência, volume, temperatura e sabor. Essas estratégias utilizadas pelos fonoaudiólogos fazem parte da reabilitação da deglutição, pois as mesmas interferem no desempenho sensório motor oral e no trânsito orofaríngeo, minimizando os riscos de aspiração laringotraqueal.

Mudança na consistência dos alimentos é uma importante ferramenta no tratamento da disfagia e deve ser modificada de acordo com o grau da disfagia, estado nutricional, aceitação alimentar e morbidade do paciente.

 

Fonte: Diretriz BRASPEN de terapia nutricional no envelhecimento 2019