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Intervenção Nutricional no Tratamento de Feridas

 

Dentre os principais fatores de risco para o desenvolvimento de úlcera por pressão está o estado nutricional inadequado caracterizado por ingestão energética insuficiente, perda de peso, de massa muscular e de gordura subcutânea, edemas localizados ou anasarca, que podem mascarar a perda de peso.

Os efeitos da desnutrição podem ser devastadores, principalmente em idososonde há um aumento da morbidade e mortalidade, maior risco de reinternações e aumento do tempo de hospitalização, aumento do risco de formação de úlcera por pressão e piora no prognóstico de cicatrização.

A intervenção nutricional precoce, após a identificação de risco nutricional (realizado através da MAN (Mini avaliação Nutricional)  ou NRS (Nutritional Risk Screening) ou ASG (Avaliação Subjetiva Global)), é de extrema importância para melhores prognósticos dos pacientes com feridas. Então deve-se considerar a necessidade de oferecer suporte nutricional suplementar.

A Terapia Nutricional tem como objetivo primordial garantir as necessidades nutricionais do indivíduo, e quando necessário, tratar deficiências. Sendo assim, a recomendação energética inicia-se em 30-35 kcal/kg/dia podendo variar com doenças concomitantes e 1,25-1,5g/kg/dia de proteínas. A necessidade de suplementos especializados com vitaminas antioxidantes, carotenóides e zinco, pode ser identificada para a otimização no processo de cicatrização.

Os riscos e benefícios do suporte Nutricional devem ser discutidos com o paciente , cuidadores e equipe multidisciplinar e deve refletir as preferências dos objetivos de cada paciente. A Terapia Nutricional só deverá ser interrompida , se os pacientes em risco para úlcera de pressão ou já portadores, estiverem ingerindo todas as necessidades nutricionais rotineiramente.

 

Fonte: Caderno de Boas Práticas Need - Fascículo I

Perfil de pacientes hospitalizados em uso de terapia enteral

 

A terapia nutricional (TN) é essencial para prevenir ou tratar a desnutrição, contribuindo na redução das complicações infecciosas, da má cicatrização, do tempo de internação, dos custos hospitalares e da mortalidade.

A nutrição oral é definida como a principal via de alimentação e é o meio preferencial para a ingestão de alimentos. Outra forma de terapia nutricional pode ser realizada quando os indivíduos não forem capazes de atingir suas necessidades nutricionais ou quando não podem e não devem alimentar-se pelo método convencional. A via alternativa tem como objetivo substituir ou complementar a alimentação por via oral.

Na escolha da via para acesso nutricional deve-se optar primeiramente pela nutrição enteral (NE), sendo a nutrição parenteral (NP) indicada na impossibilidade de NE ou quando esta não é suficiente para suprir as necessidades nutricionais.

A indicação da NE deve seguir critérios bem definidos, entre eles, quando há risco de desnutrição ou quando o trato digestório estiver total ou parcialmente funcional. As vias de acesso da NE são garantidas por sonda nasogástrica, nasoentérica ou ostomias (gastrostomia e jejunostomia).

O conhecimento sobre o perfil dos pacientes em uso de terapia nutricional é importante, uma vez que, ao conhecê- los, promove-se melhor planejamento do processo de assistência à saúde dos pacientes. A importância desse conhecimento está relacionada ao direcionamento da assistência prestada a esse tipo de paciente, com especial atenção aos efeitos da terapia, ao prognóstico e aos fatores de riscos aos quais os pacientes estão expostos.

Entendendo a importância de traçar o perfil dos pacientes em NE internados em um hospital geral de grande porte, Ueno e colaboradores observaram que a maior parte da população que recebeu nutrição enteral era idosa, do sexo masculino e que a indicação para uso da terapia nutricional foi predominantemente devido às doenças neurológicas, muitas delas decorrentes de AVC.

Os mesmos concluíram que a doença de base exerce grande influência sobre a via de administração a ser utilizada, da mesma forma sobre a resposta nutricional do paciente. Assim, a NE e a via de alimentação são fundamentais para a recuperação e evolução do quadro clínico.

 

Fonte:  BRASPEN J 2018; 33 (2): 194-8