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Fórmulas Enterais na Pediatria

 

Nutrição Enteral é predominantemente oferecida como formulações líquidas prontas para alimentação, embora existam algumas preparações em pó que são misturadas em água ou leite antes da oferta. Os produtos disponíveis para crianças podem ser classificados como "fórmulas enterais" ou “suplementos alimentares". As fórmulas enterais fornecem uma mistura equilibrada de todos os nutrientes essenciais necessários para atender as necessidades nutricionais. As fórmulas enterais são projetadas para servir como a única fonte de nutrição, mesmo durante períodos prolongados de tempo. O conteúdo de todos os nutrientes essenciais em tais formulações geralmente deve fornecer pelo menos 100% da ingestão de referência da população para indivíduos saudáveis ​​da faixa etária alvo, relacionados ao suprimento de energia usual para esse grupo. 

As fórmulas poliméricas são geralmente baseados em proteínas do leite de vaca, servindo como formulações padrão para alimentação oral e ou por sonda e adequadas para a maioria dos pacientes.

As fórmulas de baixo teor molecular são fórmulas com oligopéptidos derivados de hidrolisados ​​de proteínas, e os alimentos elementares são baseados em aminoácidos livres. Por falta de palatabilidade, as fórmulas de baixo peso molecular geralmente são administradas por sonda.

As fórmulas entéricas geralmente não são livres de glúten, e a maioria é livre de lactose ou contém apenas pequenas quantidades de lactose. A Isosmolalidade (300 - 350 mOsm / kg) é considerada preferível porque as fórmulas com alta osmolalidade podem induzir diarréia em alguns pacientes com patologia intestinal. 

As fórmulas com fibra dietética são apropriadas para a maioria dos pacientes. A fibra e seus produtos de fermentação (ácidos graxos de cadeia curta) têm potenciais efeitos benéficos sobre a fisiologia intestinal e na prevenção de diarréia e constipação. O uso de uma mistura de fibras não fermentáveis ​​e fermentáveis ​​tem sido sugerido como uma abordagem preferível.

As fórmulas com alto teor de gordura que fornecem mais de 40% do conteúdo energético como lipídios e, portanto, com cargas glicêmicas reduzidas podem proporcionar benefícios em pacientes com metabolismo do estresse (resistência à insulina, hiperglicemia, septicemia, queimaduras) e pode reduzir a produção de CO2. A substituição de parte do teor de gordura por triglicerídeos de cadeia média (óleos TCM) pode ser uma vantagem em pacientes com formas severas de má digestão e/ou malabsorção de gordura (colestase grave, insuficiência pancreática, interrupção da circulação biliar enterohepática).

Em relação ao uso das fórmulas imunomoduladoras na Pediatria, ainda desconhecemos os seus  reais benefícios.

Os suplementos alimentares recomendados devem ser administrados apenas como adição a outros alimentos quando é necessário aumentar a energia total e a ingestão de substrato. Hoje em dia, ainda apresentamos uma necessidades de pesquisa com suplementos em crianças. Somente dados limitados estão disponíveis sobre os efeitos do uso de diferentes formulações em pacientes pediátricos. A adição de novos componentes e outras modificações importantes das fórmulas entéricas devem ser avaliadas em relação à sua adequação e benefício em estudos clínicos controlados.

 

Microbiota Intestinal, Probióticos e Diabetes

 

A microbiota intestinal tem sido relacionada com o desenvolvimento do diabetes tipo 1 e 2, acredita-se que os benefícios obtidos na prevenção e tratamento do DM1 e DM2 a partir da modulação dessa microbiota com a administração de probióticos exista, conforme a Sociedade Brasileira de Diabetes.

Sugere-se que o processo inflamatório relacionado com o mecanismo molecular que contribui com a resistência à insulina e com a autoimunidade, possa ser exacerbado pela disbiose, que contribui com o aumento da permeabilidade intestinal, favorecendo a translocação do lipopolissacarídeo bacteriano (LPS), resultando em endotoxemia metabólica.

A relação entre a microbiota intestinal e o DM2 foi estabelecida a partir do desequilíbrio de determinados filos de bactérias, decorrente do consumo de uma dieta hiperlipídica. Alguns estudos apontam que o aumento da permeabilidade intestinal, e consequentemente, da translocação de LPS resulta na ativação de receptores toll like, que resultam na fosforilação do substrato 1 do receptor de insulina (IRS-1), em resíduos de serina, e consequentemente em resistência à insulina.

Há evidências de que a relação da disbiose com o aumento da permeabilidade intestinal e da translocação de antígenos, aumentam as respostas imunológicas e podem danificar as células β pancreáticas. Também é destacado que pessoas com DM1 apresentam perturbações nas estruturas da barreira intestinal e maior quantidade de bactérias dos gêneros Clostridium, Bacteroides e Veillonella. Sendo assim, a manutenção de uma microbiota saudável parece reduzir a resposta imunológica e os processos inflamatórios, além de aumentar a secreção de IL-10, citocina anti-inflamatória.

De acordo com metanálises, a modulação da microbiota intestinal parece ser eficiente na prevenção e tratamento do DM1 e DM2, mas que os mecanismos moleculares associados à esses benefícios ainda devem ser esclarecidos.

 

Gut microbiota, probiotics and diabetes. Aline Corado Gomes, Allain Amador Bueno, Rávila Graziany Machado de Souza, João Felipe Mota. Nutrition Journal 2014.

 

O papel da Leucina, Vitamina D e da Creatina nos pacientes Diabéticos e Sarcopênicos

 

A sarcopenia é uma síndrome caracterizada pela perda progressiva e generalizada da massa muscular esquelética e de sua força que ocorre com o avanço da idade e apresenta alta prevalência entre os idosos. Está relacionada com o comprometimento funcional, incapacidade, quedas, perda da independência, piora da qualidade de vida e morte em idosos. 

É um processo mediado por inúmeros fatores que indicam a necessidade de adequações nas exigências nutricionais conforme a idade. Dentre essas adequações envolvem, principalmente, o aumento na ingestão de proteínas de alto valor biológico (AVB) entre outros nutrientes, como:

Leucina

A leucina que é um aminoácido de cadeia ramificada que tem sido considerado um farmaconutriente na prevenção e tratamento de diversas situações clínicas, como a sarcopenia e o diabetes tipo 2. Com a capacidade de inibir a proteólise e estimular a síntese proteica pela modulação de elementos que atuam na tradução da via de sinalização da insulina, a suplementação desse aminoácido tem sido estudada como estratégia no tratamento da sarcopenia.

Ja temos evidências que a co-ingestão de proteína hidrolisada e leucina em cada refeição principal melhora o controle glicêmico, atenuando a hiperglicemia pós-prandial em indivíduos com diabetes tipo 2. 

Vitamina D

A deficiência de vitamina D está associada à redução da força e do anabolismo muscular. Em um estudo transversal em pacientes ambulatoriais com mais de 65 anos de idade, realizado na Suíça, Bischoff e col. encontraram uma correlação positiva entre a força muscular avaliada pela potência dos músculos extensores do joelho (LEP) e os níveis de 1,25-dihidroxivitamina D em homens e mulheres. Após ajustamento para idade, a LEP foi menor nos indivíduos com deficiência de vitamina D (25OHD< 30nmol/L). Além disso, a deficiência de vitamina D está envolvida na diminuição da secreção de insulina e no aumento da degradação muscular.

Creatina

A creatina tem sido amplamente estudada, tanto em adultos jovens como em idosos sarcopênicos. Trata-se de um aminoácido encontrado no músculo esquelético e sintetizado endogenamente pelo fígado, rins e pâncreas a partir da glicina e arginina. Também pode ser obtido via alimentação, especialmente pelo consumo de carne vermelha e peixes. Sua principal função é o fornecimento rápido de energia durante a contração muscular, através de reação catalisada pela enzima creatina quinase. Além disso, a creatina influencia na regulação das células satélites e auxilia no aumento da força e da hipertrofia muscular, sendo eficiente em idosos ou pessoas acometidas por doenças degenerativas neuromusculares. A suplementação de creatina está descrita nas recomendações da The Society for Sarcopenia, Cachexia and Wasting Disease.