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Comparação entre avaliação subjetiva global e o novo diagnóstico nutricional proposto pela ASPEN em pacientes cirúrgicos

 

 

A desnutrição atualmente é definida, em termos simples, como qualquer alteração na fisiologia, na composição, ou na função de um organismo atribuível a uma dieta ou estado de doença que afeta negativamente o estado nutricional. A prevalência estimada de desnutrição entre pacientes cirúrgicos e/ou outros pacientes internados nos centros de saúde está na faixa de 30%-50%, dependendo da configuração e critérios que são utilizados. Esses pacientes desnutridos estão em maior risco de comorbidades, tempo de permanência hospitalar, readmissões mais frequentes e maior mortalidade em relação aos pacientes adequadamente nutridos.

A avaliação nutricional não diagnostica apenas a desnutrição, mas, também, é uma maneira de identificar pacientes que apresentam maior risco de sofrer complicações associadas ao estado nutricional durante sua internação. A avaliação subjetiva global (ASG) compreende um método que engloba aspectos subjetivos e objetivos do estado nutricional, incluindo componentes da história clínica e do exame físico. Em detrimento da importância da avaliação nutricional no paciente cirúrgico, foi realizado, ano passado, um estudo onde foi  comparado os diagnósticos nutricionais obtidos por meio da ASG, considerado padrão ouro, e o método de avaliação proposto pela ASPEN.

Foi observado maior prevalência de pacientes não desnutridos. O método proposto pela ASPEN apresentou boa sensibilidade e especificidade quando comparado ao método considerado padrão ouro, a ASG e, portanto, mostrou ser uma boa ferramenta para avaliação do estado nutricional dos pacientes, confiável e que transmite segurança, podendo ser utilizado na prática clínica em pacientes cirúrgicos.

 

Inquérito Brasileiro sobre o estado nutricional atual da Terapia Nutricional Domiciliar

 


 

A SBNPE/BRASPEN criou um Comitê de Assistência Nutricional Domiciliar (CAND) para mapear como atuam diferentes profissionais de saúde frente a assistência nutricional domiciliar (AND) no Brasil. Uma das primeiras ações deste Comitê foi tentar melhorar a informação sobre a AND no país, envolvendo vários profissionais de saúde como o médicos, nutricionistas e enfermeiros, os quais fazem parte do serviço de Home Care.

No entanto, dados sobre como atuam esses profissionais no âmbito da terapia nutricional não são facilmente encontrados, porém, são muito necessários. Por meio da ferramenta Survey Monkey foi realizado um questionário que foi respondido por 582 profissionais de saúde, sendo a maioria nutricionistas (75%) e médicos (13,4%). Dentre os resultados obtidos foi encontrado,  a utilização da nutrição enteral (NE) de forma isolada em 82,4% dos casos ou em conjunto com a nutrição parenteral  (NP) em 16,3%. 

A NP isolada é fornecida por 1,2% dos profissionais participantes. Quase 60% dos participantes disseram que entregam orientações impressas em formulário próprio ou previamente impresso enquanto que outros apenas escrevem (31,6%) ou fazem orientação oral (8,5%) na hora da alta. A falta de agendamento para orientações nutricionais com o familiar/cuidador foi analisado em um pouco mais de 30% dos serviços. Todos os dados obtidos são importantes e merecem a atenção.

 

Disbiose e o Sistema Imune

 

O microbioma tem sido implicado na regulação de processos inflamatórios subjacentes a numerosas doenças crônicas. Por exemplo, pacientes com doença hepática gordurosa não alcoólica e aqueles com esteatose hepática não alcoólica, duas condições inflamatórias metabólicas comuns do fígado, possuem comunidades microbianas distintas que são sugeridas para desempenhar um papel na patogênese da doença. 

No caso da síndrome metabólica associada à obesidade, a evidência de um papel causal da disbiose no desenvolvimento da doença, tanto em ratos quanto em humanos, embora um estudo recente sobre o uso de antibióticos em indivíduos obesos tenha posto em dúvida a eficácia da modulação do microbioma  como uma ferramenta para melhorar as complicações metabólicas associadas à obesidade. A inflamação do tecido adiposo é uma marca registrada da doença metabólica progressiva. A recente observação em ratos que o microbioma impulsiona o recrutamento induzido pela dieta de células inflamatórias para o tecido adiposo aumenta a possibilidade de que os sinais microbianos possam contribuir para a obesidade e a intolerância à glicose através da perpetuação da inflamação do tecido adiposo. Da mesma forma, uma quantidade crescente de evidências sugere um papel fundamental do microbioma no desenvolvimento do câncer que é parcialmente mediado por seu efeito na inflamação associada ao tumor. 

A disbiose pode até afetar distúrbios neurodegenerativos, alguns dos quais são modificados por componentes inflamatórios. Um exemplo é o transtorno do espectro do autismo; A infecção viral durante a gravidez em um modelo animal da condição foi sugerida para modificar as manifestações da doença na prole através de um mecanismo dependente de IL-17173.

No recente estudo publicado esse ano na revista Natureza Reviews, você encontrará uma visão geral das associações imunológicas;  as causas e conseqüências da disbiose bacteriana e seu envolvimento na etiologia molecular de doenças comuns;

Leva M, et al. Dysbiosis and the immune system. Natureza Reviews Immunology, vol 17, april 2017.