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Doenças Raras: Contribuições para uma Política Nacional

Até o início dos anos 80, os pacientes com doenças raras não faziam parte da agenda das autoridades governamentais. A atuação de organizações de pacientes e movimentos sociais ao redor do mundo não apenas deu voz as necessidades dessas pessoas como contribuiu para que as pessoas para que as doenças raras passassem a ser consideradas um problema de saúde pública.

Embora possuam diferentes definições e abordagens em torno do tema, as políticas públicas desenvolvidas ao redor do mundo têm apresentado uma gama de soluções para ampliar o acesso dos pacientes à assistência. O desafio é considerável, levando em conta que 95% das doenças raras não possuem tratamento e dependem de uma rede de cuidados paliativos que garantam ou melhorem a qualidades de vida dos pacientes.

O fato de o Brasil não possuir uma política para doenças raras não significa, porém, que os pacientes não recebam cuidados e tratamento. Os medicamentos acabam chegando até eles, na maioria por via judicial. E o SUS, de uma maneira ou de outra, atende essas pessoas - porém, de forma fragmentada, sem planejamento, com grande desperdício de recursos públicos e prejuízos para os pacientes.

Temos que dar mais atenção aos nossos pacientes especiais e dar pelo menos uma qualidade de vida melhor para eles. Para isso a importância da adoção de uma Política Nacional para Doenças Raras, que expresse o compromisso de todos com definições sensatas, claras, graduais, alinhadas ao dever de ampliar o acesso a tratamentos de forma justa e sustentável.

 

Obesidade, microbioma e doenças metabólicas

 


A Obesidade está associada com diversas condições de saúde, incluindo Diabetes, Hipertensão e Doenças Cardiovasculares e está diretamente relacionada com o decréscimo da expectativa de vida, aumento dos custos de saúde pública e baixa qualidade de vida.

Na tentativa de explicar essa Epidemia, devemos ter em mente que o corpo humano está envolvido num contexto de luta pela alimentação e contra infecções. Com a escassez de alimentos, nosso corpo é envolvido em mecanismos regulatórios, como o balanço energético. Hoje em dia, contudo, nós podemos obter comidas mais saborosas e calóricas com muito mais facilidade. E nossos corpos não estão conseguindo se adaptar a essas novas práticas.

Estudos com ratos tem mostrado que o microbioma regula o mecanismo do balanço energético e que essa mudança pode causar propensão a obesidade. Além disso, tem mostrado interação entre o microbioma e o alimento, como a gordura animal e os emulsificantes dietéticos que causam inflamação, ganho de peso e resistência à insulina.

Outros estudos têm mostrado também, como o brócolis e fibra alimentar podem promover mecanismos anti-inflamatórios. Em resumo, dieta saudável é o fator ambiental que modula tanto o intestino como o ganho de peso.

Identificando e expandindo nosso conhecimento sobre os mecanismos subjacentes da interação da dieta, imunidade e microbioma podemos desenvolver novas abordagens baseadas em alimentos saudáveis para prevenção e/ou tratamento de muitas das principais doenças que nos acometem.

 

Fonte: WHITEBOOK 5th Annual Fórum - Better Foods for Better Health 2016

Microbiota: um orquestrador chave da terapia do câncer

 

A microbiota é composta por bactérias comensais e outros microorganismos que vivem nas barreiras epiteliais do hospedeiro. A microbiota comensal é importante para a saúde e sobrevivência do organismo. A microbiota influencia funções fisiológicas da manutenção da homeostase da barreira para a regulação do metabolismo, hematopoiese, inflamação, imunidade e outras funções sistematicamente. A microbiota também está envolvida na iniciação, progressão e disseminação de câncer tanto em barreiras epiteliais quanto em tecidos estéreis.


Recentemente, tornou-se evidente que a microbiota, e particularmente a microbiota do intestino, modula a resposta ao tratamento do cancro e a suscetibilidade a efeitos secundários tóxicos. Nesta mesma revisão, foi discutido as evidências da capacidade da microbiota de modular a quimioterapia, radioterapia e imunoterapia com foco nas espécies microbianas envolvidas, seu mecanismo de ação e a possibilidade de direcionar a microbiota para melhorar a eficácia anticancerígena enquanto evita a toxicidade.

Roy. S; Trinchieri. G. Microbiota: a key orchestrator of cancer therapy. Nature Reviews Cancer. (2017)