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Terapia Nutricional no paciente crítico

  

 

A terapia nutricional (TN) é o pilar mais importante na evolução do paciente grave. Entretanto, seu sucesso depende, dentre outros fatores, da adequada seleção da via de acesso, da definição das necessidades calóricas e proteicas, da técnica de infusão da dieta e monitoramento da TN.

A terapia nutricional ganhou enorme importância nos últimos 20 anos, tornando-se peça fundamental nos cuidados ao paciente crítico. Sabemos que o estado nutricional interfere diretamente na evolução clínica do paciente como na redução da morbimortalidade, diminuição da resposta catabólica, incremento do sistema imune, manutenção da integridade funcional do trato gastrointestinal, além de contribuir para um menor tempo de internação em unidade fechada com consequente redução no custo do tratamento.

Nos últimos anos, as publicações sobre o tema praticamente dobraram, porém, os estudos tem se apresentado muito divergentes em suas metodologias.

Os temas mais estudados dentro da terapia nutricional no paciente crítico são as necessidades calóricas e proteicas, quantidade de macro e micronutrientes a serem administrados e se realmente os nutrientes imunomoduladores, como a glutamina, a arginina, os antioxidantes, o ômega 3, são determinantes no tratamento desses pacientes.

Para melhores esclarecimentos, aguardamos por mais e melhores evidências científicas para alguns pontos da terapia nutricional em pacientes críticos.

Hoje em dia é possível encontrarmos fontes seguras e de qualidade, onde podemos encontrar consensos para esse assunto como por exemplo os guidelines da ESPEN 2006 e ASPEN 2009 para pacientes críticos, bem como o Canadian Critical Care Nutrition Practice Guidelines. 

 

Óleo de Krill nas doenças cardiovasculares

A ligação entre saúde e alimentação é mais relevante do que nunca. De fato, inúmeras pesquisas recentes confirmam o importante papel da dieta na prevenção de doenças cardiovasculares e seus fatores de risco, tais como, diabetes e obesidade que são dois graves problema de saúde pública.

A associação entre o consumo de frutos do mar e os seus efeitos benéficos para a saúde cardiovascular tem sido relatada em vários estudos epidemiológicos e clínicos. Estes efeitos são principalmente atribuídos a sua elevada quantidade de ácidos graxos poli-insaturados de cadeia longa (n-3 PUFA), especialmente ácido eicosapentaenóico (EPA) e docosahexaenóico (DHA) com efeitos anti-inflamatórios e anti-oxidantes.

No entanto, peixes com benefícios nutricionais são notáveis no presente, e um interesse crescente é a prospecção e exploração de novas fontes naturais e alternativas de micronutrientes antioxidantes prontamente disponíveis e de baixo custo. Assim, muitos suplementos alimentares enriquecidos com micronutrientes antioxidantes surgiram em todos os departamentos.

O krill antártico (Euphausia superba), pequeno crustáceo do Oceano Antártico é a espécie eucarióticas mais abundantes dos oceanos, sua biomassa é estimada entre 125 e 700 milhões de toneladas, e assim conveniente para a pesca comercial. O óleo de krill contém uma elevada proporção de ácidos graxos ômega-3 ligados a fosfolipídios, assim, proporcionando uma melhor biodisponibilidade de AGPI n-3, a sua distribuição nos diferentes órgãos e sua incorporação em membranas celulares. Além disso, o óleo de krill contém um pigmento nóides da família astaxantina xantofilas, com notável atividade antioxidante agindo em sinergia com o EPA e DHA. Estes efeitos são mediados principalmente pelo aumento da produção de enzimas antioxidantes e a inibição da transcrição de enzimas que participam na produção de oxigênio reativo e espécies de nitrogênio (radicais livres), assim, contribuindo para a proteção cardiovascular.

 

Simbióticos na melhora da constipação intestinal crônica

 

A constipação é caracterizada pela dificuldade para evacuar, presença de fezes ressecadas e frequência de evacuação inferior a 3 vezes por semana. A constipação crônica está diretamente relacionada com o desequilíbrio da microbiota intestinal, pela menor quantidade de bactérias benéficas nesse ambiente.

Jayasimhan et al avaliou a eficácia de uma preparação simbiótica contendo fruto-oligossacarídeos (FOS) e um mix de cepas de Lactobacillus e Bifidobacterium na frequência de evacuações, na consistência das fezes e nos sintomas da constipação intestinal crônica.

O estudo sugere que a preparação simbiótica é efetiva na melhora da frequência de evacuações e na consistência das fezes. Além disso, esse tipo de intervenção pode reduzir os sintomas de esforço para evacuar e a sensação de evacuação incompleta em adultos com constipação intestinal crônica.

 

Jayasimhan, Sanmugapriya, et al. “Efficacy of microbial cell preparationn in improving chronic constipation: a randomized, double-blind, placebo-controlled trial.” Clinical Nutrition 32.6 (2013): 928-934. 

 

Nutrição Parenteral Domiciliar

 

Nutrição Parenteral (NP) refere-se a administração de nutrientes por via intravenosa nos pacientes incapazes de manter o estado nutricional adequado por alimentos via oral ou enteral. Em geral, são pacientes com insuficiência intestinal de diferentes etiologias, pós-ressecção do intestino delgado ou as alterações da mucosa intestinal que os motivam a má absorção de nutrientes. Se o paciente não precisar de hospitalização, mas depender da NP por longo período de tempo, recomenda-se a NP domiciliar (NPD).

A NPD é um tratamento seguro e eficaz para manter o estado nutricional ótimo e melhorar a qualidade de vida, mas apenas quando os pacientes forem selecionados adequadamente.

Dentre os potenciais benefícios do atendimento domiciliar encontram-se diminuição das internações e custos hospitalares, ausência do risco de infecção hospitalar, manutenção do paciente no núcleo familiar e o aumento da qualidade de vida deles e de seus familiares.

O uso desse tipo de terapia nutricional tem aumentado em todo o mundo, mas é preciso um cuidado especial para um bom acompanhamento. Por isso, é necessário que os familiares e cuidadores recebam treinamento adequado pela equipe multiprofissional para o adequado manuseio da dieta e higienização dos equipamentos.

Esses cuidados devem ser tomados para evitar as complicações que podem ocorrer com a NPD, como sepse de catéter, anormalidades metabólicas, disfunção de órgãos, dentre outras. 

 

Cuide do seu intestino!

 

 

O intestino humano é densamente colonizado por microrganismos, a "microbiota intestinal”. As bactérias estão por toda parte no organismo causando doenças. No entanto, o que pouca gente conhece é que, dependendo da espécie e da parte do corpo em que elas estão alojadas, as bactérias são benéficas e podem ser aliadas à saúde. Nestes casos, elas são chamadas de Bactérias probióticas, ou seja, microrganismos vivos e liofilizados que, quando administrados em quantidades adequadas, (10⁹ UFC/g), atuam no sistema digestivo, contribuindo para melhor qualidade de vida e saúde do homem. Entre suas indicações, os probióticos trabalham no combate à ansiedade, depressão, doenças da pele, diabetes mellitus tipo 2. 

As novas evidências científicas indicam que a microbiota intestinal desempenha um papel significativo no desenvolvimento e/ou tratamento da obesidade, na inflamação associada à obesidade, na resistência à insulina e várias outras patologias sistêmicas e autoimunes.

Embora os probióticos sejam bactérias, eles são seguros e de livre consumo para todas as faixas etárias. A utilização em gestantes melhora a maturação das células intestinais, diminui os processos inflamatórios e melhora a tolerância alimentar no lactante. Uma microbiota intestinal equilibrada oferece inúmeros benefícios, além de fortalecer o sistema imunológico, proporcionar energia ao corpo e reduzir a produção de gorduras nas células.

Agora basta saber se você está cuidando adequadamente da sua microbiota e se está proporcionando saúde suficiente ao seu intestino.