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O estado nutricional está diretamente relacionado com o envelhecimento.

 

Algumas condições na população idosa são vistas com certa frequência, como a instabilidade postural e quedas, incontinência (urinária e fecal), incapacidade cognitiva (demência, delirium, depressão e doença mental), imobilidade e lesão por pressão. Essas podem determinar o surgimento de uma ou mais síndromes geriátricas, por condições multifatoriais, e associam-se à perda da independência e da autonomia. Pela sua frequência e importância para a saúde da população idosa, outras condições comuns têm sido descritas como insuficiência familiar, sarcopenia e fragilidade.

A Sarcopenia, caracteriza-se pela perda progressiva e generalizada da força e da massa muscular, que pode estar associada ao declínio da performance ou desempenho físico. Uma perda excessiva de massa muscular e força resulta em deficiência física, fragilidade, incapacidade e dependência, assim, prejudicando o estado nutricional do mesmo.

Muitos fatores relacionados ao envelhecimento e às comorbidades, contribuem para a ingestão insuficiente tanto de calorias quanto de nutrientes específicos. Com isso, frequentemente as pessoas idosas estão em risco de desnutrição. 

Algumas estratégias nutricionais devem ser utilizadas o mais breve possível fornecer as quantidades adequadas de calorias, proteínas, micronutrientes e líquidos, a fim de atender aos requisitos nutricionais e, assim, manter ou melhorar o estado nutricional durante o processo de envelhecimento.

 

Fonte: DIRETRIZ BRASPEN DE TERAPIA NUTRICIONAL NO ENVELHECIMENTO

Dieta, metabolismo, intestino e doença cardíaca

 

Os avanços no conhecimento sobre como a microbiota intestinal contribui para a saúde e para as doenças humanas, expandiram a percepção de como a composição e a função microbiana afetam o hospedeiro humano.  A insuficiência cardíaca está associada a congestão da circulação esplênica, levando a um edema da parede intestinal e prejuízo a função da barreira intestinal.  Sugere-se que esta situação aumente o estado inflamatório geral através do aumento da translocação bacteriana e da presença de produtos bacterianos na circulação sanguínea sistêmica.  

Vários metabólitos produzidos pelos microrganismos intestinais a partir do metabolismo da dieta têm sido associados a patologias como aterosclerose, hipertensão, insuficiência cardíaca, doença renal crônica, obesidade e diabetes mellitus tipo 2.  Esses achados sugerem que o microbioma intestinal funcione como um órgão endócrino, gerando metabólitos bioativos que possam afetar direta ou indiretamente a fisiologia do hospedeiro.  

Hoje já conhecemos novas vias metabólicas microbianas intestinais, incluindo a produção de N-óxido de trimetilamina e trimetilamina, ácidos graxos de cadeia curta e ácidos biliares secundários, que parecem participar do desenvolvimento e progressão de doenças cardiovasculares, incluindo  insuficiência cardíaca.  

Atualmente também se tem como alvo terapêutico, o microbioma intestinal, para o tratamento de doenças cardiovasculares e possíveis estratégias para direcionar processos microbianos intestinais.

 

Fonte: Dietary, metabolismo, the gut microbiome and heart failure

Rumo a um conceito mais compreensível para os prebióticos

 

Em 1995, se acreditava que os Prebióticos eram compostos somente pelos Frutooligossacarídeos (FOS) e que os benefícios eram somente para o Cólon. Na época, tínhamos como conceito de Prebiótico um ingrediente alimentar não digerível, que estimulava seletivamente a atividade de um número limitado de bactérias no cólon.

Já em 2008, passaram a conceituar os Prebióticos como um componente alimentar não viável que proporcionava benefício à saúde do hospedeiro associado à modulação da microbiota. Nesse ano já incluíram como exemplos de Prebióticos a  Inulina, FOS, GOS, SOS, XOS, IMO, lactulose, pirodextrinas, fibras alimentares, amidos resistentes e outros oligossacarídeos não digeríveis.

Em 2015 descobriram que os benefícios do uso dos Prebioticos não eram encontrados somente no Cólon e sim também no Intestino Grosso e no Intestino Delgado. E no mesmo ano começaram a aparecer as pectinas e os amidos resistentes, e a incluir como exemplos de Prebióticos, os grãos na sua integralidade. 

Para o “The International Scientific Association for Probiotics and Prebiotics (ISAPP)” para um alimento/ componente  ser considerado um Prebiótico tem que demonstrar um efeito benéfico no hospedeiro. Atualmente, já podemos dizer que comer comida de verdade é um dos melhores Prebióticos que conhecemos. 

 

Fonte: Towards a more comprehensive concept for Prebiotics

Alimentação dos idosos e suas dificuldades

Nas últimas cinco décadas, podemos observar que a população brasileira vem passando por mudanças nas taxas de mortalidade e fecundidade, caracterizadas por um aumento da expectativa de vida e, facilmente explicadas por fatores como: redução da mortalidade infantil, melhora nas condições de saúde, combate as doenças infectocontagiosas e queda na taxa de fecundidade. Consequentemente, a população brasileira vem cursando com um processo de envelhecimento rápido e exponencial, nunca visto anteriormente.

E esse processo de envelhecimento traz junto modificações fisiológicas, tais como alterações no paladar, no olfato, na mastigação, polimedicação e toda consequência da cascata medicamentosa, além das modificações na composição corporal com redução da massa magra e aumento do tecido adiposo. Hoje em dia, a prevalência de desnutrição em idosos domiciliados é de 1% a 15%, idosos internados nos hospitais entre 35% e 65% e nos idosos institucionalizados detecta-se desnutrição em 25% a 60%.

A dificuldade na mastigação e na deglutição são muito comuns nessa faixa etária. Isso aliado a perda da elasticidade do tecido conectivo do trato digestório superior, a redução na produção de saliva e a menor sensibilidade de paladar e olfato limitam a capacidade de ingestão e aumentam o risco de desnutrição em idosos.

Prover uma deglutição segura para indivíduos idosos é um desafio que pode ser facilitado com uso de recursos terapêuticos como a adaptação das dietas, com mudanças na consistência, volume, temperatura e sabor. Essas estratégias utilizadas pelos fonoaudiólogos fazem parte da reabilitação da deglutição, pois as mesmas interferem no desempenho sensório motor oral e no trânsito orofaríngeo, minimizando os riscos de aspiração laringotraqueal.

Mudança na consistência dos alimentos é uma importante ferramenta no tratamento da disfagia e deve ser modificada de acordo com o grau da disfagia, estado nutricional, aceitação alimentar e morbidade do paciente.

 

Fonte: Diretriz BRASPEN de terapia nutricional no envelhecimento 2019

A importância da qualidade proteica


Quando falamos em oferta proteica temos que nos atentar na qualidade das proteínas ofertadas.

O soro de leite é separado da coalhada durante o processo de fabricação do queijo.  É o líquido remanescente depois que o leite é coalhado e coado para remover as caseínas (coalhada).  Contém proteínas, lactose, vitaminas, minerais e vestígios de gordura.  A proteína de soro de leite, que representa 20% do conteúdo total de proteínas do leite, é vendida como suplemento nutricional.

Além das diferenças na cinética de digestão e absorção de proteínas, o soro e a caseína também diferem acentuadamente em sua composição de aminoácidos.  Enquanto ambas as proteínas contêm todos os aminoácidos necessários para estimular efetivamente a síntese de proteínas musculares, o soro de leite tem um conteúdo consideravelmente maior de leucina. Este último também pode contribuir para as maiores propriedades anabólicas, porque a leucina foi identificada como o principal sinal nutricional responsável por estimular o acúmulo de proteína muscular pós-prandial. Consequentemente, resta esclarecer se as maiores propriedades anabólicas propostas para o soro são atribuídas à cinética mais rápida de digestão e absorção ou simplesmente a diferenças na composição de aminoácidos.

Foi relatado que as proteínas de soro de leite têm utilidade em muitas aplicações diferentes, variando de efeitos nos ossos, músculos, sangue, cérebro, pâncreas, imunidade, câncer, infecções, metabolismo, cicatrização de feridas, apredizagem e no envelhecimento..  A proteína do soro de leite, incluindo sua fração de proteína básica, promove a formação óssea e suprime a reabsorção óssea em mulheres e homens adultos saudáveis. O soro de leite é enriquecido com glutamina, que é um combustível para a divisão rápida das células e foi considerado “condicionalmente essencial” durante períodos de estresse metabólico (por exemplo, como a experiência de atletas de resistência) ou doenças.  

Enquanto os principais ligantes ou quelantes minerais de cálcio são as caseínas, as proteínas do soro de leite ligam minerais específicos, incluindo cálcio, magnésio, zinco, ferro, sódio e potássio, e são vistas como uma nova geração de superalimentos.

 

Fonte: Whey protein stimulates postprandial muscle protein accretion more effectively than do casein and casein hydrolysate in older men.

Sarcopenia, prevalência, definição e tratamento

 

A população mundial está envelhecendo. Estima-se que, de 1996 a 2025, o percentual de idosos aumentará cerca de 200% nos países em desenvolvimento. No Brasil, o aumento da população idosa segue a tendência mundial. Nos últimos 60 anos, aumentou de 4% para 9%, correspondendo a um acréscimo de 15 milhões de indivíduos. A estimativa para 2025 é de um aumento de mais de 33 milhões, tornando o Brasil o sexto país com maior percentual populacional de idosos no mundo.

Diversos autores demonstraram maior prevalência de incapacidade e dependência funcional em idosos, particularmente do sexo feminino. Estes aspectos estão intimamente associados à redução da massa muscular decorrente do envelhecimento, mesmo em idosos saudáveis.

A sarcopenia foi inicialmente definida como uma perda de massa muscular relacionada à idade. A sarcopenia, derivada das palavras gregas para carne (sarx) e perda (penia), é uma condição de diminuição da massa muscular esquelética que pode levar a um declínio na capacidade física.  Definições recentes incorporaram elementos de força e desempenho físico, bem como massa muscular nos critérios de identificação e outras causas além do envelhecimento em sua etiologia.

Existe uma falta de acordo mundial sobre a definição de sarcopenia.  Existem três grandes grupos de consenso, e o mais atual  deles é uma definição proposta pelo Grupo de Trabalho Europeu sobre Sarcopenia em Idosos (EWGSOP).  Eles definiram a sarcopenia como uma síndrome caracterizada pela perda progressiva e generalizada de massa e força muscular esquelética.  Eles também sugeriram seu potencial de quedas, fraturas e fragilidade, levando à incapacidade física, má qualidade de vida e aumento da mortalidade

Uma grande disparidade na prevalência de sarcopenia é encontrada na literatura, variando de 1 a 29% entre as diferentes populações estudadas.  Essa grande variabilidade pode dever-se à falta de unanimidade nos critérios diagnósticos, nos quais diferentes técnicas foram utilizadas para avaliar a massa muscular, a diferentes etnias, diferentes contextos sociais, culturais e de estilo de vida, além da variação na  a idade da população estudada.

Com o avançar da idade, é comum ocorrer declínio de mais de 15% do gasto metabólico basal, que acontece devido à redução de tecido magro, principalmente de células musculares metabolicamente ativas.

A redução da ingestão alimentar, a “anorexia do envelhecimento”, é fator importante no desenvolvimento e progressão da sarcopenia, principalmente quando associada a outras co-morbidades. Múltiplos mecanismos levam à ingestão alimentar reduzida no idoso, tais como perda de apetite, redução do paladar e olfato, saúde oral prejudicada, saciedade precoce (relaxamento reduzido do fundo gástrico, aumento da liberação de colecistocinina em resposta à gordura ingerida, elevação da leptina). Fatores psicossociais, econômicos e medicamentos também estão envolvidos.

A ingestão reduzida de proteínas, de acordo com as DRIs (Dietary Reference Intakes), ocasiona redução da massa e força muscular em mulheres na pós-menopausa e, por conseguinte, discute-se a importância da suplementação protéica e calórica nessa população idosa.

 

Fonte: Sarcopenia Associada ao Envelhecimento: Aspectos Etiológicos e Opções Terapêuticas ; Recent Issues on Body Composition Imaging   for Sarcopenia Evaluation

Contribuintes microbianos para o desenvolvimento, prevenção e terapia do Câncer Cólon Retal

 

Esse artigo mostra o papel da microbiota intestinal no desenvolvimento e proteção do Câncer do Cólon Retal. A proteção vêm a partir do aumento da produção de SCFA (ácido graxo de cadeia curta) e Taurina. Essa maior quantidade de SCFA no intestino, estimula a produção de Butirato, o qual regula as criptas de vilosidade que aumentam a produção de Peptídeo antimicrobiano (AMP) e Mucina.

A causa de todo o problema pode ser a toxicidade, a genotoxicidade, estímulo pró inflamatório gerado pelas bactérias, formação de biofilmes que induzem a doença inflamatória ou a disbiose da microbiota que podem gerar o aumento da IL-6, NFkB (fatores tumorais) e Th17.

As vias de causa do Câncer de Colón Retal, que estão relacionadas com o aumento do ROS (espécie reativa de hidrogênio) que causa inflamação crônica intestinal, por isso a importância da manutenção da homeostase da microbiota intestinal.

 

Fonte: Sporadic colorectal cancer: microbial contributors to disease prevention, development and therapy.

Aporte proteico nos pacientes oncológicos

 

Apesar da condição nutricional apresentar importante papel no tratamento de pacientes com câncer, somente 30 a 60% destes pacientes recebem terapia nutricional adequada, por meio do acolhimento nutricional, suplementos orais, nutrição enteral ou parenteral. E diante dessa informação, entendemos melhor a importância das diretrizes e guidelines no tratamento e recuperação desses pacientes  unificando prescrições e indicações. 

Quando falamos em necessidades protéicas sabemos que essa prescrição é individualizada e seu aporte se faz necessário para manter ou recuperar a massa magra. A quantidade de proteína ofertada tem a função de compensar a perda de  massa magra associada com condições inflamatórias e catabólicas devidos a doenças agudas e crônicas como o próprio Câncer.

As recomendações de ingestão proteica no paciente com câncer devem ser baseadas na condição clínica, estado nutricional e estágio da doença.

O cálculo das necessidades proteicas deve ser baseado no percentual do gasto energético total diário, lembrando que esse gasto energético em repouso do paciente com câncer pode estar aumentado e consequentemente a necessidade proteica desses pacientes também estará.  Esse percentual deve ficar em torno de 10-15%, podendo chegar até 20%.

Quando falamos em oferta proteica por g/kg/ dia , recomenda-se para o paciente com câncer, entre 1g/kg/dia a 2,0g/kg/dia, especialmente se a inflamação sistêmica estiver presente.

 

Fonte: Diretriz BRASPEN de terapia nutricional no paciente com câncer

Nutrição Enteral Pós Alta Hospitalar com Dr. Ivens Augusto

 

 

CLIQUE NO LINK E ASSISTA O VÍDEO:

 

https://m.youtube.com/watch?v=ZcvOXU1FrU8

 

 

 

Qual a relação do intestino com as doenças metabólicas ou até mesmo com alterações do trato gastrointestinal?

 

 

Quando falamos em fatores maléficos para a saúde intestinal, o artigo escrito por Ana M Valdez et al aborda bem essa questão. O artigo cita como fatores prejudiciais ao intestino a alteração de ph, o consumo excessivo de proteínas ou a má disgestibiliade da mesma, consumo abusivo de açúcar e gordura saturada e o uso indiscriminado dos inibidores da bomba de prótons e antibióticos.

Todos esses fatores podem causar uma diminuição na produção de ácido graxo de cadeia curta (SCFA), principalmente o Butirato, que é produzido por fibras alimentares intestinais. Assim como, pode ocorrer um aumento da produção de TMAO, um metabólico hepático derivado de uma enzima chamada flavina monooxigenase, e quanto mais TMAO maior é a probabilidade de ocorrer doenças cardiovasculares.

Outro evento descrito é o aumento da produção de Lipopolissacarídeo (LPS), causado pelo baixo consumo de fibras, e por um consumo excessivo de açúcares, gorduras saturadas e proteínas. As bactérias potencialmente patogênicas são as produtoras desse LPS e metabolizam as proteínas provenientes da dieta. Esses bactérias causam inflamação no intestino pois propiciam uma endotoxicemia metabólica, assim, aumentando a resistência à insulina.

A alteração na capacidade cognitiva pode ocorrer em função da alteração no metabolismo do Triptofano aumentando a produção de Indol que estimula a via do Ácido Quinúrico, que é contrária à via de transformação do Triptofano em Serotonina, assim podendo alterar a capacidade cognitiva.

Hoje em dia já se sabe da importância da mudanças de hábitos alimentares para a saúde intestinal. Uma dieta rica em fibras e o uso rotineiro de Probióticos são hoje as ferramentas mais adequadas para resgatar a Homeostase intestinal. Através do uso de Probióticos e do aumento no consumo de fibras, há uma maior oferta de SCFA ao intestino, assim como, de antioxidantes,  fazendo com que haja um equilíbrio lipídico, redução da inflamação intestinal, assim,  melhorando a sensibilidade insulínica e reduzindo o risco de infecções do Trato Gastrointestinal.

 

Fonte: Role of the gut microbiota in nutrition and health