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PRIORIDADES CLÍNICAS PARA O MANEJO NUTRICIONAL PARA TODAS AS PESSOAS COM DIABETES

 

Existe uma ampla gama de abordagens de planejamento de refeições para diabetes ou padrões alimentares clinicamente eficazes e muitos deles incluem um componente reduzido de ingestão de energia. Não há uma porcentagem ideal de calorias provenientes de carboidratos, proteínas ou gorduras que seja ideal para todas as pessoas com diabetes.

O objetivo da terapia nutricional deve ser desenvolvido em colaboração com o indivíduo com diabetes e ser baseado em uma avaliação dos padrões atuais de alimentação, preferências e metas metabólicas.

Uma vez concluída uma avaliação completa, o papel do profissional de saúde é facilitar a mudança de comportamento e atingir as metas metabólicas, atendendo às preferências do paciente, o que pode incluir permitir que o paciente continue seguindo seu padrão atual de alimentação. Se o indivíduo quiser experimentar um padrão alimentar diferente, isso também deve ser apoiado pela equipe de saúde. Várias teorias e estratégias de mudança de comportamento podem ser usadas para adaptar intervenções nutricionais para ajudar o indivíduo a alcançar resultados específicos de saúde e qualidade de vida.

Múltiplas abordagens de planejamento alimentar e padrões alimentares podem ser eficazes para atingir metas metabólicas. Exemplos incluem contagem de carboidratos, escolhas alimentares saudáveis/planos de refeições simplificados (ou seja, o Método da Placa), métodos individualizados de planejamento de refeições baseados em porcentagens de macronutrientes, lista de trocas para planejamento de refeições, índice glicêmico e alimentações padrões incluindo estilo Mediterrâneo, DASH, vegetariano ou vegan, baixo teor de carboidratos e baixo teor de gordura. A abordagem de planejamento de refeições ou padrão alimentar deve ser selecionada com base nas preferências pessoais e culturais do indivíduo. Isso pode precisar ser ajustado ao longo do tempo com base nas mudanças nas circunstâncias da vida, nas preferências e no curso da doença.

Existem muitas abordagens diferentes para a terapia nutricional e padrões alimentares eficazes para os resultados desejados de um melhor controle glicêmico e redução do risco de DCV entre indivíduos com diabetes. A avaliação da evidência nutricional é complexa, uma vez que múltiplos fatores dietéticos influenciam o controle glicêmico e os fatores de risco para DCV, e a influência de uma combinação de fatores pode ser substancial. Lacunas na literatura continuam a existir e mais pesquisas sobre nutrição e padrões alimentares são necessárias em indivíduos com diabetes tipo 1 e tipo 2.

 

Diretrizes SBD - Princípios para orientação nutricional no diabetes mellitus, 2014-2015

Avaliação do risco de desenvolvimento de desnutrição em crianças hospitalizadas

 

 

O risco de desnutrição é potencialmente elevado em crianças hospitalizadas por diversos motivos, onde os mais relevantes são pelo aumento das necessidades energéticas, pela redução do apetite, pelo uso de drogas e pela dieta negligenciada.  Quanto mais precocemente for identificado o Risco Nutricional, a chance de reversão da desnutrição aumenta e o tempo de internação diminui.

Um estudo recém publicado na revista Nutrition, investigou a prevalência de risco de desnutrição em pacientes pediátricos usando como ferramentas de triagem nutricional STRONGkids (Screening Tool Risk on Nutritional Status andGrowth) e PYMS (Pediatric Yorkhill Malnutrition Score). Os objetivos apresentados pelo estudo, foram:

1. Verificar o estado nutricional, através de medidas antropométricas, no momento da admissão e identificar fatores relacionados;

2. Determinar mudanças antropométricas durante a hospitalização e comparar essas alterações com as características do paciente;

3. Determinar os resultados das ferramentas de triagem de PYMS e STRONGkids e combiná-los com as medidas antropométricas e com os fatores que os afetam durante uma internação hospitalar.

Participaram do estudo 1513 crianças internadas em 37 hospitais, de 26 cidades de diferentes regiões da Turquia, onde tiveram suas medidas antropométricas coletadas na admissão e na alta hospitalar. Após a coleta das medidas antropométricas, o Z-score para altura para a idade, Z-score peso para a idade, Z-score peso para a altura e Z-score índice de massa corporal para a idade foram avaliados.

Foi encontrado um Z-score < -2 para IMC para a idade em 9,5% da amostra na admissão. Quanto ao índice de peso para a comprimento/altura, 11,2% da amostra estava em Z-score < -2. Segundo STRONGkids, a proporção de pacientes portadores de doenças crônicas com alto risco nutricional foi maior do que de pacientes com médio e baixo risco (91% comparado com 47 e 45%, respectivamente). Segundo PYMS, pacientes com alto risco nutricional têm mais doenças crônicas do que pacientes com médio ou baixo risco (55 e 44%, respectivamente). Todos os pacientes foram triados através das duas ferramentas descritas no trabalho. Em ambas, pacientes com doenças crônicas apresentaram alto risco nutricional e longa permanência hospitalar. Acreditasse que esse resultado seja em consequência da maior frequência de complicações em pacientes com doenças crônicas, pelo maior tempo de hospitalização e pelo fato do estado nutricional ter sido negligenciado.

Assim, mostrando a importância da triagem Nutricional em todos os pacientes internados, independente do motivo de sua internação e patologia.

 

Fonte: Beser, et al. Evaluation of malnutrition development risk in hospitalized children. Nutrition. November 29, 2017.

CoQ10 x Síndrome de Down

 

A trissomia 21 é a anomalia cromossômica mais frequente, que tem como características a deficiência cognitiva e deficiências neurológicas significativas. Ela afeta de 1/700 a 1/1.000 nascidos vivos. O excesso de inibição no cérebro de pessoas com um cromossomo 21 a mais pode ser responsável por déficits cognitivos observados ao longo de suas vidas. O estresse oxidativo é conhecido por ter um papel substancial na patologia devido a fatores genéticos e epigenéticos, o que sugere que o desequilíbrio oxidativo contribui para as manifestações clínicas da síndrome de Down (SD).

Na síndrome de Down, o dano oxidativo tem um importante papel nos processos neurodegenerativos. A CoQ10 atua como eliminadora de espécies reativas de oxigênio (EROs). Além disso, possivelmente estimula as enzimas de reparo de danos oxidativos e tem um papel na regulação da expressão gênica. Também pode atuar como um modulador de mecanismos de reparo de DNA. O efeito da CoQ10 foi estudado em alguns distúrbios neurológicos em que a disfunção mitocondrial foi detectada. Isso poderia explicar o processo bioquímico pelo qual a CoQ10 exógena melhora a deficiência bioenergética em algumas miopatias mitocondriais e na cardiomiopatia.  A coenzima Q10 foi administrada em pacientes com a SD, na tentativa de combater o desequilíbrio oxidativo presente devido à sua deficiência secundária com resultados promissores. Pessoas com SD são mais propensas a infecções e doenças autoimunes. Respostas imunes ineficazes na SD levam a infecções virais/bacterianas recorrentes e contribuem para o desenvolvimento de vários sintomas patofisiológicos, inclusive o déficit cognitivo.

A disfunção do sistema imunológico na SD foi atribuída ao número reduzido de linfócitos B, a modificações do subgrupo de células T, bem como alterações no nível de citocinas anti-inflamatórias e pró-inflamatórias. O fator de necrose tumoral α (TNF α) e a interleucina 6 (IL-6) foram indicados como os principais componentes dos processos imunológicos e também inflamatórios. Uma compreensão aprimorada e melhor da relação entre esses diferentes elementos poderá auxiliar na descoberta de novas abordagens para melhorar a progressão da demência em pacientes de trissomia 21.

 

Referência bibliográfica 

Moushira E. Zaki, Hala T. El-Bassyouni, Angie M.S. Tosson , Eman Youness, Jihan Hussein Coenzyme Q10 and pro-inflammatory markers in children with Down syndrome: clinical and biochemical aspects J Pediatria Available online 19 October 2016 dx.doi.org/10.1016/j.jped.2016.04.012

Perluigi M, Pupo G, Tramutola A, Cini C, Coccia R, Barone E, et al. Neuropathological role of PI3K/Akt/mTOR axis in Down syndrome brain. Biochim Biophys Acta. 2014;1842:1144-1153.

Martínez-Cué C, Delatour B, Potier MC. Treating enhanced GABAergic inhibition in Down syndrome: use of GABA α5-selective inverse agonists. Neurosci Biobehav Rev. 2014;46:218-227.

 

Por que usar espessantes alimentares?

 

A deglutição é o ato de conduzir o alimento da cavidade oral em direção ao estômago, não permitindo entrada de material nas vias aéreas.  Além de sua importância na nutrição, a deglutição está relacionada com aspectos culturais e sociais. Em nossa cultura, comer é um ato prazeroso e social. Assim, alterações na deglutição podem causar déficits nutricionais e prejudicar a socialização do indivíduo.

Para o bom funcionamento da deglutição, é necessário que haja a integridade de um complexo grupo de estruturas interdependentes, as quais executam um trabalho dinâmico e de curta duração que pode ser dividido nas seguintes fases: oral, preparatória, faríngea e esofágica. Durante o processo da deglutição, podem ocorrer alterações no seu processo fisiológico ou alterações anatômicas, podendo ocasionar alguns sintomas que irão caracterizar a disfagia.

As disfagias são alterações no processo da deglutição, caracterizadas por dificuldades da passagem do alimento da cavidade oral até o estômago. Quando ocorrem dificuldades ou perda das habilidades para deglutir, em geral há graves consequências que podem levar à desnutrição e até à morte, por comprometer a integridade das vias aéreas. Além dos danos metabólicos, a disfagia pode influenciar o estado emocional do paciente, causando estresse, depressão e isolamento social.

A textura, a consistência, a viscosidade, a adesividade, o grau de coesão, a firmeza e a densidade dos alimentos devem ser considerados na seleção da dieta oral antes de serem oferecidos aos pacientes. Deve-se iniciar a alimentação via oral com líquidos espessados, a fim de evitar ocorrência de refluxos. Preparações líquidas são contra-indicadas no início da reintrodução da alimentação via oral, pois os líquidos, por serem de baixa viscosidade, podem favorecer o risco de aspiração. A substituição da terapia nutricional enteral ou a reintrodução da alimentação oral deve obedecer a um esquema de evolução de consistência dos alimentos que a compõem, determinada por uma avaliação fonoaudiológica.

O uso de espessante alimentar ajuda a aumentar a viscosidade de soluções, emulsões e suspensões, sendo uma estratégia utilizada pelos fonoaudiólogos na terapia da deglutição, visto que a viscosidade e consistência do bolo alimentar geram mudanças na fisiologia deste processo. A deglutição do líquido, quando comparado a outras consistências, exige maior controle oral, aumentando o risco de aspiração laringotraqueal em algumas patologias. Nesses casos, o uso do espessante é essencial. 

 

Referências bibliográficas 

Silva, LBC; Ikeda, CM. Cuidado nutricional na disfagia: uma alternativa para a maximização do estado nutricional. Rev Bras Nutr Clin 2009; v.24, n.3, p: 203-210.

Anvisa

Ozaki K Kagaya et al. The risk of penetration or aspiration during videofluoroscopic examination of swallowing varies depending on Food types. Tohoku J Exp Med. 2010; 220(1):41-6.

A importância do DHA na gestação

O DHA (ácido docosahexaenoico) é o principal tipo de ômega-3 e traz benefícios para a saúde ao longo de toda a vida, que vão desde o desenvolvimento das estruturas do cérebro e da retina, a partir da gestação, até a prevenção do declínio cognitivo na fase adulta. É um nutriente que não pode faltar na alimentação da gestante, bem como das crianças. Trata-se de um ácido-graxo do tipo ômega 3, presente em altas quantidades em peixes de água fria (salmão e sardinhas), leite materno e gema de ovo.

O assunto é novidade entre as famílias, mas especialistas estudam o nutriente há dez anos. O consenso elaborado pela Associação Brasileira de Nutrologia padronizou as recomendações em relação ao consumo e à suplementação de DHA durante a gestação, lactação e infância. Para cada uma dessas fases, foram reunidas as mais recentes evidências com a opinião dos médicos, com o objetivo de apoiar a classe médica e de nutricionistas na hora de recomendar o consumo do nutriente.

A dieta materna é extremamente importante para o desenvolvimento cognitivo dos bebês, uma vez que é a única fonte de ácidos graxos, responsáveis pela formação do cérebro e dos olhos. Deve ser ingerido principalmente no último trimestre da gravidez, onde ocorre o maior acúmulo do mesmo. O consumo de DHA neste período é essencial na formação de todas as membranas celulares do sistema nervoso central, ajuda a prolongar gestações de alto risco, aumentar o peso do recém-nascido, comprimento e circunferência da cabeça ao nascimento, além de zelar da acuidade visual, coordenação mãos-olhos e atenção.

Para a ingestão deste nutriente, o consenso recomenda uma suplementação de 200 mg por dia, independentemente se a fonte for por meio de peixes ou os suplementos de DHA. Existe também a preocupação do uso de peixes de maneira criteriosa, uma vez que existem riscos de contaminação com metais pesados, e também a possibilidade dos animais que foram criados em cativeiro apresentarem um baixo teor de DHA.

No Brasil, tudo isso ainda é muito recente. Mas, lá fora, o DHA já é considerado essencial para o desenvolvimento infantil. A European Food Safety Authority (EFSA) aprovou, em maio de 2011, que três frases de saúde relativas ao DHA fossem impressas nos rótulos de alimentos fonte ou enriquecidos: “a ingestão de DHA contribui para o desenvolvimento de crianças com idade até 12 meses”; “a ingestão materna de DHA contribui para o desenvolvimento normal da visão do feto e de crianças amamentadas”; e “a ingestão materna de DHA contribui para o desenvolvimento normal do cérebro do feto e de crianças amamentadas.”

 

Referencias 

ASBRAN - Associação Brasileira de Nutrologia

VALENZUELA A, NIETO MS. [DOCOSAHEXAENOIC ACID (DHA) IN FETAL DEVELOPMENT AND IN INFANT NUTRITION]. REVISTA MEDICA DE CHILE. 2001;129(10):1203-11.

CARVER JD, BENFORD VJ, HAN B, CANTOR AB. THE RELATIONSHIP BETWEEN AGE AND THE FATTY ACID COMPOSITION OF CEREBRAL CORTEX AND ERYTHROCYTES IN HUMAN SUBJECTS. BRAIN RESEARCH BULLETIN. 2001;56(2):79-85.

Diabetes e Terapia Nutricional

 

 

 

O diabetes mellitus (DM) é uma doença metabólica que cursa com aumento dos valores de glicemia plasmática devido a ausência, de ciência e/ou resistência à ação do hormônio sintetizado pelas células betapancreáticas, a insulina. No DM tipo 1, a hiperglicemia é resultado da ciência na secreção de insulina, que progride para ausência absoluta deste hormônio. No DM tipo 2, a hiperglicemia ocorre tanto por resistência à ação da insulina como por deficiência na secreção deste hormônio. A insulina é um hormônio anabólico que está envolvido no metabolismo dos carboidratos, proteínas e lipídeos.

 

O tratamento nutricional é essencial para o controle do DM em pacientes internados ou ambulatoriais. Ele inclui a avaliação, o diagnóstico, a escolha e a implementação da terapia nutricional adequada, além do aconselhamento sobre o tratamento geral da doença.

O objetivo primordial durante a aplicação da terapia nutricional oral, enteral ou parenteral, em pacientes com DM, é manter a glicemia dentro dos níveis da normalidade e manter o estado nutricional adequado dos pacientes. Deve-se evitar, durante a terapia nutricional, o fornecimento energético excessivo, pois a hiperalimentação pode levar ao descontrole glicêmico.

A indicação da terapia nutricional em pacientes diabéticos segue as mesmas indicações dos pacientes não diabéticos. Porém, como estes pacientes normalmente seguem regime alimentar específico, muitas vezes é difícil para o paciente manter a mesma ingestão alimentar durante a estadia hospitalar. Existem fatores que podem interferir na manutenção do estado nutricional do paciente, como: aumento das necessidades nutricionais pelo estresse catabólico, uso de medicações que interferem na glicemia e no controle glicêmico e supressão do apetite induzida pela doença. Assim, a terapia nutricional deve ser ajustada sempre que o paciente não conseguir atingir seus objetivos nutricionais.

É primordial que as necessidades nutricionais destes pacientes sejam individualizadas. Os carboidratos, embora elevem a glicemia pós-prandial de forma mais acentuada do que as proteínas e lipídeos, devem fazer parte da composição nutricional de qualquer que seja a terapia nutricional instituída. Na terapia enteral podem-se utilizar as formulações-padrão específicas para Diabéticos em que os carboidratos preencham até 50% do valor calórico total (VCT) da formulação e é acrescido em fibras.

Além do controle glicêmico, que é a meta principal do tratamento nutricional, deve-se ter por objetivos:

  • manter níveis adequados de lípideos plasmáticos e de pressão sanguínea, com oferta adequada de energia, com intuito de melhorar e acelerar a recuperação;
  • utilizar terapias que tratem as doenças associadas ao DM, como hipertensão arterial, doença cardiovascular, dislipidemia e nefropatia;
  • utilizar plano alimentar nutricionalmente adequado, visando à melhora da saúde;
  • oferecer treinamento ao paciente para controle da glicemia e das complicações do DM.

 

 

Referência Bibliográfica: Sociedade Brasileira de Nutrição Parenteral e Enteral Associação Brasileira de Nutrologia. Terapia Nutricional no Diabetes Mellitus.

 

A importância da microbiota intestinal na saúde do lactente

 

Estima-se que o número de bactérias que habitam o intestino é dez vezes superior às células do organismo humano. Essa extraordinária coleção de material genético, denominado “microbiota”, contém cem vezes mais genes do que o genoma humano.

A ecologia intestinal é mantida às custas do equilíbrio existente entre os germes patobiontes, eubiontes e simbioses, além, é claro, de nosso sistema imunológico. Esse equilíbrio é conhecido como eubiose, que por sua vez caracteriza a eutrofia, ou seja, a manutenção da saúde.

O desenvolvimento da microbiota ocorre principalmente durante a infância e suas alterações estão relacionadas a uma grande variedade de doenças. As funções digestivas e metabólicas da microbiota consistem na facilitação da absorção de minerais como cálcio, fósforo e ferro, bem como na regulação da absorção de água e eletrólitos nos cólons.

Durante e após o nascimento o RN coloniza-se com bactérias aeróbias e anaeróbias provenientes do canal de parto, da pele da mãe e do meio ambiente. O Leite Materno (LM) não é estéril e contém diversos tipos de bactérias como Staphyloccoccus sp, Streptococcus sp, Enterococcus sp e diversas espécies de lactobacilos e bifidobadtérias que apresentam feitos na imunomodulação da mucosa intestinal, ocasionando aumento na atividade das células natural killers e na produção de macrófagos ativados de fagócitos que promovem secreção da IgA. O leite humano maduro contém aproximadamente 130 tipo de galacto-oligossacarídeos na concentração de 5-13g/dL e maiores concentrações no colostro (24g/dL). Parte da lactose e dos oligossacarídeos não sofrem a ação enzimática digestiva e penetra diretamente no intestino servindo de substrato para o crescimento dos lactobacilos e das bifidobactérias por meio do processo fermentativo. Além disso, no LM são encontradas estruturas fucosílicas, galactosílicas e sialílicas, que supostamente contribuem para uma microbiota saudável.

O consumo de probióticos e prebióticos pelos RN podem contribuir para a homeostase imunológica, promovendo a eubiose e interagindo com o sistema imune da mucosa, explicando seu efeito no tratamento dos processos infecciosos, alérgicos e nas doenças  imunomediadas. Porém, ainda são necessários mais estudos para melhor entendermos todos os mecanismos envolvidos.

 

Referências Bibliográficas

  1. ILSI Europe. ILSI Europe Concise Monograph Probióticos, Prebióticos e a Microbiota Intestinal. ILSI Europe, Brasil, 2013. 
  2. ESPGHAN Committee on Nutrition: Supplementalion of Infant Formula With Probiotics and/or Prebiotics. JPGN 2011; 52:238-250.
  3. Thomas DW, Frank R. Greer and Committee on Nutrition : Probiotics and Prebiotics in Pediatrics. Pediatrics 2010; 126; 1217-1231
  4. Vael C. The importance of the development of the Intestinal Microbiota in infant.
Alterações gástricas e a Terceira Idade - Qual o papel das enzimas digestivas?

 

A vida moderna permitiu que mais pessoas chegassem à terceira idade, e no futuro teremos cada vez mais idosos no mundo. Segundo dados do Fundo de Populações das Nações Unidas (Unfpa), atualmente uma em cada nove pessoas no mundo tem 60 anos ou mais. São 810 milhões de pessoas na terceira idade. Projeta-se que em menos de uma década esse número chegue a um bilhão e então duplique em 2050, quando os idosos serão 22% da população global. Também no Brasil a quantidade de idosos só aumenta. Em 2010 eles eram 10% da população, mas em 2050 deverão chegar a 30%, ou 64 milhões de pessoas.

Não há dúvidas de que a população com mais de 60 anos só aumenta no mundo todo, porém o que queremos saber é se as pessoas estão chegando na terceira idade com qualidade.

O processo de envelhecimento submete o organismo a diversas alterações funcionais e anatômicas, que irão repercutir nas condições de saúde e nutrição do indivíduo. Algumas dessas mudanças são progressivas e afetam a capacidade funcional do organismo, como a diminuição do metabolismo basal, perda ou ausência de peças dentárias, redistribuição da massa corporal, alterações no funcionamento digestivo, diminuição da percepção sensorial, sensibilidade à sede e diminuição da capacidade cognitiva. As alterações no aparelho digestivo quase sempre são ligadas a lentidão dos movimentos peristálticos, perda de enzimas digestivas, atrofia da mucosa gástrica com diminuição da produção de ácido clorídrico, baixa absorção de vitamina B12 e diminuição do tamanho do fígado.

Dentre os fatores metabólicos, as alterações gastrointestinais, hepáticas e renais merecem destaque. As alterações gastrointestinais ocorrem principalmente devido à alteração na estrutura e na função do estômago. Como consequência há diminuição da secreção salivar, redução da motilidade gástrica, queda na produção de suco e hormônios gástricos e enzimas digestivas. O resultado das alterações gastrintestinais é a deficiente absorção dos nutrientes, como a vitamina D, com consequente déficit na digestão, que se torna mais lenta e menos efeciente podendo também gerar mal-estar e  flatulência. 

Para melhorar essas desordens digestivas, amenizar intolerâncias alimentares e diminuir o desconforto gástrico, como flatulência e distensão abdominal, mal-estar e desconfortos intestinais a utilização de suplementação das enzimas digestivas é de extrema importância, pois contribui para uma melhor absorção de nutrientes e uma melhor digestão dos macronutrientes, assim, amenizando os distúrbios gastrointestinais apresentado pelos idosos.

 

Referências bibliográficas 

  1. Fundo de Populações das Nações Unidas - http://www.unfpa.org.br/novo/index.php/situacao-da-populacao-mundial
  2. Salgado JM. Nutrição na terceira idade. In: Brunet- ti, RF, Montenegro FLB. Odontogeriatria: noções e conceitos de interesse clínico. São Paulo: Artes Mé- dicas, 2002. p. 62-70.
  3. Sampaio LR. Avaliação nutricional e envelhecimen- to. Rev Nutr. 2004; 17(4): 507-514.
O poder do TCM

 

Os triglicerídeos de cadeia média (TCM) são digeridos e utilizados de forma diferente dos triglicerídeos de cadeia longa (ácido mirístico, ácido palmítico e ácido esteárico). Eles parecem não se acoplar a lipoproteínas e não circular na corrente sanguínea como outras gorduras, assim, são metabolizados diretamente no fígado e convertidos em energia. Os TCM são facilmente digeridos e absorvidos no intestino e, rapidamente, atingem a circulação portal, para a oxidação no fígado, processo que o torna menos disponível para o estoque em adipócitos.

A influência dos ácidos graxos ingeridos sobre os fatores de risco das doenças cardiovasculares e sobre as concentrações plasmáticas de lípides e lipoproteínas tem sido amplamente demonstrada em diversos estudos experimentais e populacionais. Desta forma, alguns estudos mostram que a suplementação de ácidos graxos de cadeia média, pode atuar no controle do peso corporal e em desordens metabólicas, como as doenças cardiovasculares, as quais são favorecidas pela melhora de parâmetros lipídicos e inflamatórios.

Ainda é válido ressaltar a sua ação no tratamento de Úlceras de decúbito. O TCM apresenta grande importância na prevenção de Úlceras de Decúbito, pois possui excelente absorção para uso tópico, formando uma película protetora à pele, prevenindo escoriações devido à sua alta capacidade de hidratação,  assim, proporcionando nutrição celular local.

No sistema nervoso central, também exercem papel fundamental por fornecerem energia aos neurônios de forma eficaz, ação que contribui para melhor condução de impulsos nervosos. Com isso, observam-se benefícios em parâmetros cognitivos em pacientes acometidos por doenças neurodegenerativas.

Abordagens adicionais destinadas a retardar a progressão da doença de Alzheimer foram investigadas. Os relatórios que detalham o metabolismo reduzido da glicose no cérebro nos estágios iniciais da doença levaram à hipótese de que fontes alternativas de energia destinadas a aumentar o metabolismo neuronal possam proteger os neurônios e, assim, beneficiar pacientes com a Doença de Alzheimer. Os TCM são metabolizados em corpos de cetona que servem como fonte alternativa de energia para os neurônios. Os dados dos ensaios clínicos sugerem que TCM melhoram a cognição em pacientes com Alzheimer leve a moderado em pacientes com apolipoproteína E4 negativa.

Ainda, os ácidos graxos de cadeia média podem ser interessantes para praticantes de atividade física. Devido a sua estrutura molecular, que permite o fornecimento de energia eficiente, poupam o glicogênio hepático e muscular durante este período e melhoram o rendimento do exercício.

 

Referências bibliográficas 

DECLAIR, V. Aplicação do triglicerídeos de cadeia média (TCM) na prevenção de úlceras de decúbito Rev. bras. enferm. vol.47 no.1 Brasília Jan./Mar. 1994l 

I Diretriz sobre consumo de gorduras e saúde cardiovascular. Sociedade  rasuleira de Cardiologia. Volume 100, N° 1, Suplemento 3, Janeiro 2013

Terapia Nutricional domiciliar: perspectivas futuras

 

Para gerenciar adequadamente os pacientes tratados em casa, se fazem necessárias mudanças na forma de educação e treinamento oferecida aos familiares e/ou cuidadores. Outros tipos de apoio e suporte técnico a essas pessoas devem ser identificados e satisfeitos para que assim os mesmos proporcionem cuidados de qualidade aos pacientes no domicílio.

Em 2013, Tappenden et al, sugeriram colocar em prática uma abordagem baseada em um plano de cuidados nutricionais pós-hospitalização que leva em conta chamadas telefônicas pós-hospitalização com o objetivo de assegurar a continuidade dos cuidados com os pacientes em Nutrição Enteral Domiciliar (NED). Também relatam a importância de revisar a formação dos profissionais, devido à ausência de formação adequada na graduação e na pós-graduação no que diz respeito às habilidades e competências, além da falta de educação para melhoria contínua. 

Encontra-se ainda a necessidade de apoio ao engajamento de sociedades afins à Terapia Nutricional Domiciliar, além de políticas e diretrizes em saúde pública que possam garantir o fornecimento da NED como parte do plano de cuidados desses pacientes.

 

Fonte: Tappenden KA, et al. Critical role of Nutrition in improving quality of care. J Acad Nutr Diet . 2013; 113(9): 1219-37.