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A importância da qualidade proteica

 

Quando falamos em oferta proteica temos que nos atentar na qualidade das proteínas ofertadas.

O soro de leite é separado da coalhada durante o processo de fabricação do queijo.  É o líquido remanescente depois que o leite é coalhado e coado para remover as caseínas (coalhada).  Contém proteínas, lactose, vitaminas, minerais e vestígios de gordura.  A proteína de soro de leite, que representa 20% do conteúdo total de proteínas do leite, é vendida como suplemento nutricional.

Além das diferenças na cinética de digestão e absorção de proteínas, o soro e a caseína também diferem acentuadamente em sua composição de aminoácidos.  Enquanto ambas as proteínas contêm todos os aminoácidos necessários para estimular efetivamente a síntese de proteínas musculares, o soro de leite tem um conteúdo consideravelmente maior de leucina. Este último também pode contribuir para as maiores propriedades anabólicas, porque a leucina foi identificada como o principal sinal nutricional responsável por estimular o acúmulo de proteína muscular pós-prandial. Consequentemente, resta esclarecer se as maiores propriedades anabólicas propostas para o soro são atribuídas à cinética mais rápida de digestão e absorção ou simplesmente a diferenças na composição de aminoácidos.

Foi relatado que as proteínas de soro de leite têm utilidade em muitas aplicações diferentes, variando de efeitos nos ossos, músculos, sangue, cérebro, pâncreas, imunidade, câncer, infecções, metabolismo, cicatrização de feridas, apredizagem e no envelhecimento..  A proteína do soro de leite, incluindo sua fração de proteína básica, promove a formação óssea e suprime a reabsorção óssea em mulheres e homens adultos saudáveis. O soro de leite é enriquecido com glutamina, que é um combustível para a divisão rápida das células e foi considerado “condicionalmente essencial” durante períodos de estresse metabólico (por exemplo, como a experiência de atletas de resistência) ou doenças.  

Enquanto os principais ligantes ou quelantes minerais de cálcio são as caseínas, as proteínas do soro de leite ligam minerais específicos, incluindo cálcio, magnésio, zinco, ferro, sódio e potássio, e são vistas como uma nova geração de superalimentos.

 

Fonte: Whey protein stimulates postprandial muscle protein accretion more effectively than do casein and casein hydrolysate in older men.

Sarcopenia, prevalência, definição e tratamento

 

A população mundial está envelhecendo. Estima-se que, de 1996 a 2025, o percentual de idosos aumentará cerca de 200% nos países em desenvolvimento. No Brasil, o aumento da população idosa segue a tendência mundial. Nos últimos 60 anos, aumentou de 4% para 9%, correspondendo a um acréscimo de 15 milhões de indivíduos. A estimativa para 2025 é de um aumento de mais de 33 milhões, tornando o Brasil o sexto país com maior percentual populacional de idosos no mundo.

Diversos autores demonstraram maior prevalência de incapacidade e dependência funcional em idosos, particularmente do sexo feminino. Estes aspectos estão intimamente associados à redução da massa muscular decorrente do envelhecimento, mesmo em idosos saudáveis.

A sarcopenia foi inicialmente definida como uma perda de massa muscular relacionada à idade. A sarcopenia, derivada das palavras gregas para carne (sarx) e perda (penia), é uma condição de diminuição da massa muscular esquelética que pode levar a um declínio na capacidade física.  Definições recentes incorporaram elementos de força e desempenho físico, bem como massa muscular nos critérios de identificação e outras causas além do envelhecimento em sua etiologia.

Existe uma falta de acordo mundial sobre a definição de sarcopenia.  Existem três grandes grupos de consenso, e o mais atual  deles é uma definição proposta pelo Grupo de Trabalho Europeu sobre Sarcopenia em Idosos (EWGSOP).  Eles definiram a sarcopenia como uma síndrome caracterizada pela perda progressiva e generalizada de massa e força muscular esquelética.  Eles também sugeriram seu potencial de quedas, fraturas e fragilidade, levando à incapacidade física, má qualidade de vida e aumento da mortalidade

Uma grande disparidade na prevalência de sarcopenia é encontrada na literatura, variando de 1 a 29% entre as diferentes populações estudadas.  Essa grande variabilidade pode dever-se à falta de unanimidade nos critérios diagnósticos, nos quais diferentes técnicas foram utilizadas para avaliar a massa muscular, a diferentes etnias, diferentes contextos sociais, culturais e de estilo de vida, além da variação na  a idade da população estudada.

Com o avançar da idade, é comum ocorrer declínio de mais de 15% do gasto metabólico basal, que acontece devido à redução de tecido magro, principalmente de células musculares metabolicamente ativas.

A redução da ingestão alimentar, a “anorexia do envelhecimento”, é fator importante no desenvolvimento e progressão da sarcopenia, principalmente quando associada a outras co-morbidades. Múltiplos mecanismos levam à ingestão alimentar reduzida no idoso, tais como perda de apetite, redução do paladar e olfato, saúde oral prejudicada, saciedade precoce (relaxamento reduzido do fundo gástrico, aumento da liberação de colecistocinina em resposta à gordura ingerida, elevação da leptina). Fatores psicossociais, econômicos e medicamentos também estão envolvidos.

A ingestão reduzida de proteínas, de acordo com as DRIs (Dietary Reference Intakes), ocasiona redução da massa e força muscular em mulheres na pós-menopausa e, por conseguinte, discute-se a importância da suplementação protéica e calórica nessa população idosa.

 

Fonte: Sarcopenia Associada ao Envelhecimento: Aspectos Etiológicos e Opções Terapêuticas ; Recent Issues on Body Composition Imaging   for Sarcopenia Evaluation

Contribuintes microbianos para o desenvolvimento, prevenção e terapia do Câncer Cólon Retal

 

Esse artigo mostra o papel da microbiota intestinal no desenvolvimento e proteção do Câncer do Cólon Retal. A proteção vêm a partir do aumento da produção de SCFA (ácido graxo de cadeia curta) e Taurina. Essa maior quantidade de SCFA no intestino, estimula a produção de Butirato, o qual regula as criptas de vilosidade que aumentam a produção de Peptídeo antimicrobiano (AMP) e Mucina.

A causa de todo o problema pode ser a toxicidade, a genotoxicidade, estímulo pró inflamatório gerado pelas bactérias, formação de biofilmes que induzem a doença inflamatória ou a disbiose da microbiota que podem gerar o aumento da IL-6, NFkB (fatores tumorais) e Th17.

As vias de causa do Câncer de Colón Retal, que estão relacionadas com o aumento do ROS (espécie reativa de hidrogênio) que causa inflamação crônica intestinal, por isso a importância da manutenção da homeostase da microbiota intestinal.

 

Fonte: Sporadic colorectal cancer: microbial contributors to disease prevention, development and therapy.

Aporte proteico nos pacientes oncológicos

 

Apesar da condição nutricional apresentar importante papel no tratamento de pacientes com câncer, somente 30 a 60% destes pacientes recebem terapia nutricional adequada, por meio do acolhimento nutricional, suplementos orais, nutrição enteral ou parenteral. E diante dessa informação, entendemos melhor a importância das diretrizes e guidelines no tratamento e recuperação desses pacientes  unificando prescrições e indicações. 

Quando falamos em necessidades protéicas sabemos que essa prescrição é individualizada e seu aporte se faz necessário para manter ou recuperar a massa magra. A quantidade de proteína ofertada tem a função de compensar a perda de  massa magra associada com condições inflamatórias e catabólicas devidos a doenças agudas e crônicas como o próprio Câncer.

As recomendações de ingestão proteica no paciente com câncer devem ser baseadas na condição clínica, estado nutricional e estágio da doença.

O cálculo das necessidades proteicas deve ser baseado no percentual do gasto energético total diário, lembrando que esse gasto energético em repouso do paciente com câncer pode estar aumentado e consequentemente a necessidade proteica desses pacientes também estará.  Esse percentual deve ficar em torno de 10-15%, podendo chegar até 20%.

Quando falamos em oferta proteica por g/kg/ dia , recomenda-se para o paciente com câncer, entre 1g/kg/dia a 2,0g/kg/dia, especialmente se a inflamação sistêmica estiver presente.

 

Fonte: Diretriz BRASPEN de terapia nutricional no paciente com câncer

Nutrição Enteral Pós Alta Hospitalar com Dr. Ivens Augusto

 

 

CLIQUE NO LINK E ASSISTA O VÍDEO:

 

https://m.youtube.com/watch?v=ZcvOXU1FrU8

 

 

 

Qual a relação do intestino com as doenças metabólicas ou até mesmo com alterações do trato gastrointestinal?

 

 

Quando falamos em fatores maléficos para a saúde intestinal, o artigo escrito por Ana M Valdez et al aborda bem essa questão. O artigo cita como fatores prejudiciais ao intestino a alteração de ph, o consumo excessivo de proteínas ou a má disgestibiliade da mesma, consumo abusivo de açúcar e gordura saturada e o uso indiscriminado dos inibidores da bomba de prótons e antibióticos.

Todos esses fatores podem causar uma diminuição na produção de ácido graxo de cadeia curta (SCFA), principalmente o Butirato, que é produzido por fibras alimentares intestinais. Assim como, pode ocorrer um aumento da produção de TMAO, um metabólico hepático derivado de uma enzima chamada flavina monooxigenase, e quanto mais TMAO maior é a probabilidade de ocorrer doenças cardiovasculares.

Outro evento descrito é o aumento da produção de Lipopolissacarídeo (LPS), causado pelo baixo consumo de fibras, e por um consumo excessivo de açúcares, gorduras saturadas e proteínas. As bactérias potencialmente patogênicas são as produtoras desse LPS e metabolizam as proteínas provenientes da dieta. Esses bactérias causam inflamação no intestino pois propiciam uma endotoxicemia metabólica, assim, aumentando a resistência à insulina.

A alteração na capacidade cognitiva pode ocorrer em função da alteração no metabolismo do Triptofano aumentando a produção de Indol que estimula a via do Ácido Quinúrico, que é contrária à via de transformação do Triptofano em Serotonina, assim podendo alterar a capacidade cognitiva.

Hoje em dia já se sabe da importância da mudanças de hábitos alimentares para a saúde intestinal. Uma dieta rica em fibras e o uso rotineiro de Probióticos são hoje as ferramentas mais adequadas para resgatar a Homeostase intestinal. Através do uso de Probióticos e do aumento no consumo de fibras, há uma maior oferta de SCFA ao intestino, assim como, de antioxidantes,  fazendo com que haja um equilíbrio lipídico, redução da inflamação intestinal, assim,  melhorando a sensibilidade insulínica e reduzindo o risco de infecções do Trato Gastrointestinal.

 

Fonte: Role of the gut microbiota in nutrition and health

Suplementação oral no pré e pós alta

 

 

A prevalência da desnutrição relacionada à doença em casas de repouso em geral excede a dos hospitais e ambulatórios. A Desnutrição surge de uma ampla gama de doenças, como neurológicas, cardiovasculares e condições respiratórias, e produz uma variedade de manifestações, como fraqueza, fadiga, perda de independência e depressão.  Também predispõe a úlceras por pressão, infecções, quedas e complicações de doenças crônicas.  Todos esses problemas podem atrasar a recuperação da doença e aumentar o risco de dependência

Como a desnutrição se manifesta de muitas maneiras diferentes, é difícil projetar estudos com resultados que são apropriados para todos.  

Alguns estudos mostram que o suporte nutricional de pacientes desnutridos que foram suplementados, que residem em casas de repousos, tiveram sua energia total ingerida e a sua qualidade de vida em maior medida quando comparados aos pacientes que receberem apenas aconselhamento dietético. Assim, mostrando a importância da suplementação no pós alta desses pacientes.

Quando falamos em suplementação pré alta, encontramos na literatura dados que apontam que a administração de suplementos via oral (VO) em pacientes desnutridos hospitalizados foi associada a uma menor taxa de readmissão hospitalar em 30 dias. Além disso, um menor intervalo entre a admissão hospitalar e a iniciação do suplemento VO foi associado a um menor tempo de internação hospitalar. Os dados apontam que a utilização do suplemento pode representar diminuição dos custos hospitalares, assim, mais uma vez, evidenciando a importância da suplementação VO no pré e pós alta dos pacientes desnutridos.

 

Fonte: Oral nutritional supplements in a randomised trial are more effective than dietary advice at improving quality of life in malnourished care home residents;  The Association between Oral Nutritional Supplements and 30-Day Hospital Readmissions of Malnourished Patients at a US Academic Medical Center.

A importância do uso dos alimentos hipoproteicos na adesão à dieta dos pacientes com Fenilcetonúria

 

Os alimentos hipoproteicos são parte importante do tratamento para quem vive com Fenilcetonúria. De acordo com os nutricionistas clínicos, uma dieta balanceada é o pilar mais importante para o tratamento desses pacientes. 

Na visão dos especialistas, os alimentos hipoproteicos favorecem na adesão ao tratamento dietoterápico e permitem que os níveis plasmáticos de fenilalanina fiquem em coeficientes aceitáveis.

Na opinião da consultora de nutrição da CMW Saúde, Maria Eugênia Gutheil, é de suma importância que o Governo Federal inclua estes alimentos aos indivíduos fenilcetonúricos. “Esses produtos por serem importados, acabam se tornando muitas vezes inacessível aos pacientes”, ressalta ela.

“Os pacientes com fenilcetonúria tem como parte principal do tratamento, a dieta. Essa dieta deve ser hipoproteica, ou seja, com teor reduzido de proteína, respeitando a tolerância do aminoácido Fenilalanina de cada paciente”, ressaltou a consultora de nutrição da CMW Saúde, Maria Eugênia Gutheil.

A introdução dos produtos hipoproteicos no cardápio desses pacientes proporciona uma melhor qualidade de vida, melhora a inclusão social destes pacientes e, consecutivamente, melhora a adesão à dieta.

“Por se tratar de uma dieta extremamente rigorosa, esses pacientes acabam tendo pouca opção de alimento e a adesão em muitos casos se torna comprometida”, concluiu.

Modulação Intestinal desde a gestação

 

 

A interação com a colonização de bactérias intestinais é essencial para o desenvolvimento intestinal e imunológico saudável na infância.  Avanços na compreensão das interações precoces hospedeiro-micróbio indicam que essa programação microbiana precoce começa no útero e é substancialmente modulada pelo modo de nascimento, antibióticos perinatais e amamentação.  Além disso, tornou-se evidente que este processo de colonização microbiana gradual, assim como a programação imune e metabólica pela microbiota, pode ter uma influência duradoura.

Modulação da interação precoce hospedeiro-micróbio pela intervenção probiótica materna durante a gravidez e a amamentação oferece uma nova ferramenta promissora para reduzir o risco de doenças. 

O parto vaginal parece não apenas fornecer uma exposição bacteriana substancial, mas também estimular interações saudáveis ​​entre micróbio e hospedeiro e o desenvolvimento imunológico. O estabelecimento da microbiota no período perinatal e na primeira infância pode ser considerado a última fase da organogênese, afetando não apenas a fisiologia gastrointestinal, mas também sistêmica.  Da mesma forma, a amamentação pode ser vista como uma extensão da orientação materna intra-uterina e proteção que facilita a sobrevivência e a programação saudável no mundo microbiano durante o início da vida.  Os vários componentes e funções do leite materno ressaltam as complexas interações entre o contato com micróbios, a dieta e a maturação imunológica, incluindo o estabelecimento e a manutenção da tolerância aos antígenos alimentares e à microbiota nativa.

A compreensão crescente da importância do contato microbiano durante os frágeis períodos da vida fetal, do parto e da infância para uma programação metabólica e imunológica saudável cria novas oportunidades para melhorar a saúde infantil e reduzir o risco de doenças na vida adulta.

 

Fonte: Microbial contact during pregnancy, intestinal colonization and human disease.

O papel emergente dos ácidos graxos ômega-3 como opção terapêutica nos transtornos neuropsiquiátricos

 

A prevalência de doenças neurológicas e psiquiátricas vem aumentando há décadas e a nutrição foi recentemente reconhecida como um fator importante para a prevenção e tratamento de transtornos neuropsiquiátricos.  Os ácidos graxos poliinsaturados ômega-3 (ácidos graxos n-3), eicosapentaenóico (EPA) e ácido docosahexaenóico (DHA) desempenham papéis críticos na função das células neuronais e na neurotransmissão, bem como reações inflamatórias e imunológicas que estão envolvidas nos estados de doença neuropsiquiátrica.  

Diversos estudos sugerem efeitos benéficos dos AGPIs n-3 em quase todas as condições médicas, incluindo distúrbios neurológicos e psiquiátricos. Tais estudos descobriram que populações árticas mais isoladas com estilos de vida e dietas tradicionais têm menores taxas de depressão, ansiedade e tendências suicidas do que populações menos isoladas ou não-árticas.  Esses achados foram associados a fatores relacionados à dieta, isto é, ingestão de n-3 PUFA.

O efeito dos PUFAs n-3 nos distúrbios neuropsiquiátricos é baseado em seu papel crucial no funcionamento das células neuronais.  O desequilíbrio lipídico nos processos bioquímicos intracelulares e nas membranas celulares neuronais pode levar a alterações no funcionamento cerebral que podem causar ou agravar distúrbios neuropsiquiátricos.

Uma conexão entre fatores nutricionais e distúrbios neuropsiquiátricos deve ser considerada.  Numerosos estudos epidemiológicos mostraram uma forte correlação entre o baixo status de PUFA n-3 e maior prevalência e gravidade de diferentes transtornos neuropsiquiátricos.  Atualmente, os PUFAs n-3 parecem ser mais úteis em abordagens preventivas de longo prazo do que no tratamento de episódios agudos. 

A medição de n-3 PUFAs no sangue para fins de diagnóstico, avaliação de risco e monitoramento de drogas terapêuticas é barata e já está disponível em muitos laboratórios.  O uso de n-3 PUFAs como uma opção terapêutica no tratamento de distúrbios neurológicos e psiquiátricos pode ainda ser incipiente, mas seu potencial terapêutico, perfil de segurança favorável, facilidade de administração e baixos custos de tratamento são promissores.  O número crescente de estudos clínicos e outros trabalhos de pesquisa sugerem que a suplementação com PUFAs n-3 pode desempenhar um papel maior no futuro tratamento de transtornos neuropsiquiátricos.

 

Fonte: The emerging role of omega-3 fatty acids as a therapeutic option in neuropsychiatric disorders. Ther Adv Psychopharmacol 2019, Vol. 9: 1–18