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Nutrição na terceira idade

 

Após os 60 anos é comum a perda de massa muscular que, aliada às alterações fisiológicas, como a absorção de nutrientes, pode ocasionar a sarcopenia, condição que afeta a musculatura, diminuição da força e piora do desempenho físico, associado ao envelhecimento. Sob o ponto de vista fisiológico, o idoso tem uma redução de diversas propriedades do organismo. Além de alterações na dentição, que dificultam a mastigação; e de locomoção, um obstáculo para a busca de alimento; as funções digestiva, absortiva, gástrica e intestinal estão reduzidas.

 

Evitar a desnutrição é muito mais fácil do que tratá-la. A ingestão de alimentos pode ser aumentada ao atender às preferências alimentares tanto quanto possível. Os pacientes devem estar preparados para refeições com cuidados apropriados para mãos e boca, e devem estar confortavelmente situados para a alimentação. A assistência deve ser fornecida para aqueles que precisam de ajuda. Colocar dois ou mais pacientes juntos para as refeições pode aumentar a sociabilidade e a ingestão de alimentos. Os alimentos devem ser de consistência apropriada, preparados com atenção à cor, textura, temperatura e arranjo. O uso de ervas, especiarias e alimentos quentes ajuda a compensar a perda do sentido do paladar e do cheiro, que muitas vezes acompanham a velhice e evitam o uso excessivo de sal e açúcara. O acesso adequado a alimentos nutritivos e apetitosos deve ser garantido para pacientes de várias origens culturais e em todos os contextos.

 

Suplementos nutricionais contendo proteínas e energia (calorias) têm sido amplamente utilizados em um esforço para aumentar a ingestão de calorias e nutrientes, especialmente quando os pacientes comem apenas pequenas quantidades de alimento. O uso de tais suplementos pode diminuir a ingestão de alimentos, mas a ingestão nutricional geral geralmente aumenta devido à qualidade dos nutrientes e à densidade calórica dos suplementos. Muitas formulações orais diferentes estão disponíveis e podem ser escolhidos com base nas preferências do paciente, capacidade de mastigação ou custo do produto. As fórmulas orais também podem ser selecionadas com base em seu conteúdo de calórico, osmolalidade, proteína e fibra. A maioria das fórmulas fornece 1-1,5 calorias / mL e muitas são sem lactose e / ou sem glúten. A suplementação com energia e proteína produz um pequeno mas consistente ganho de peso em pessoas idosas. A mortalidade pode ser reduzida em pessoas idosas desnutridas com a simples introdução de um suplemento ao dia.

 

Fonte: Associação Brasileira de Geriatria e Gerontologia

Intolerância à Lactose: qual o tratamento?

 

A lactose é um dissacarídeo que é abundante no leite de mamíferos e essencial para a nutrição de recém-nascidos. É hidrolisado pela enzima lactase em açúcares absorvíveis, glucose e galactose. Na maioria das crianças, a atividade da lactase intestinal é máxima durante o período perinatal; entretanto, após 2 a 12 anos de idade, dois grupos distintos emergem, isto é, um grupo com “Intolerância à lactose com hipolactasia secundária” e um grupo com “Intolerância à Lactose tipo adulto”. Nos pacientes com hipolactasia secundária, que geralmente ocorrem no lactente, o quadro clínico predominante é de diarréia fermentativa. Podem ocorrer vômitos esporádicos e desidratação. Além disso, estão presentes as manifestações típicas da doença de base. Já nos pacientes com hipolactasia tipo adulto acontece a redução dos níveis desta enzima após o período de lactância, à semelhança do ocorrido em todos os demais animais mamíferos. O quadro clínico difere dos demais tipos de hipolactasia, provavelmente devido à ocorrência em idade mais avançada. Nestes casos, os sintomas mais comuns são: dor abdominal, eructação, flatulência e diarréia leve. 

Quanto falamos no tratamento dos pacientes com Intolerância secundária, a lactose deve ser retirada por cerca de quatro semanas, esperando a recuperação da mucosa neste período, pelo tratamento da doença de base. Na doença celíaca com lesão intestinal grave, pode ser necessária a restrição mais prolongada.

Já nos pacientes com Hipolactasia do adulto os mesmos apresentam apenas redução significativa da lactase e  não ausência da enzima. Consequentemente, a maioria dos indivíduos tolera cerca de 12 a 15 gramas de lactose (cerca de 300 ml de leite), parcelado em duas tomadas. A restrição absoluta de leite e derivados pode levar à predisposição de osteopenia e osteoporose, pelo baixo aporte de cálcio. Além disso, a proteína láctea pode ser necessária em situações de falta de outros alimentos proteicos na dieta e alguns indivíduos desenvolvem mecanismo de tolerância por adaptação colônica.

A redução na atividade da lactase causa uma má digestão primária da lactose, uma condição que ocasionalmente é assintomática. Quando os sintomas estão presentes, a intolerância à lactose é diagnosticada. É importante distinguir entre hipolactasia primária e causas secundárias de má digestão de lactose, incluindo doença celíaca, enterite infecciosa ou doença de Crohn, que têm implicações patogênicas e terapêuticas distintas. Além disso, a hipolactasia primária deve ser diferenciada da deficiência congênita de lactase, uma doença autossômica recessiva rara, com mecanismos moleculares únicos que afetam as crianças desde o nascimento.

Quanto mais intolerante for a pessoa, menor deve ser a quantidade do açúcar ingerido para que não ocorram sintomas. Saber se o alimento tem lactose e em qual teor é fundamental para o paciente. Para os casos mais graves, encontra-se leite e outros produtos com redução de 80% a 90% da lactose. No Brasil, muitos alimentos industrializados não têm informação sobre a presença de lactose e seu teor. O Projeto de Lei 2663/2003, que obriga que esta informação esteja nos rótulos, está na Câmara dos Deputados a mais de 15 anos.

Para superar estes limites, vários estudos foram realizados para encontrar abordagens alternativas, tais como β-galactosidase exógena, probióticos e administração da própria enzima lactase exógena retardando o tempo de trânsito gastrointestinal melhorando a adaptação do cólon.

 
Fonte: Atualização de Condutas em Pediatria / Departamentos Científicos SPSP
Manejo Nutricional na Disfagia

A disfagia é definida como uma condição relacionada a comer ou beber, prejudicando a habilidade de engolir ou mastigar. Estima-se que aproximadamente 15% dos idosos, são afetados pela disfagia. A disfagia também é muito comum entre pacientes e residentes de asilos. O grupo de pessoas com disfagia é frequentemente deficiente cognitivamente devido à demência e à grande variedade de condições médicas que causam a disfagia, incluindo doenças agudas ou progressivas condições neurológicas, trauma, doença, cirurgia ou outros diagnósticos adicionais. O simples fato do envelhecimento é outro motivo de disfagia, pois a massa muscular e a força relacionada à deglutição, mudam naturalmente com o tempo.

Os indivíduos disfágicos frequentemente sofrem de desnutrição, podendo vir acompanhados de outros problemas, como constipação, desidratação, úlceras e anorexia, geralmente causados pela baixa ingestão de nutrientes, considerados essenciais.

As diretrizes da ESPEN sobre nutrição em pessoas idosas reconheceram a Disfagia como uma das principais causas de ingestão nutricional prejudicada nessa população. Apesar de todas essas recomendações, ambas as condições continuam sendo subestimadas e subdiagnosticadas e podem ser consideradas condições negligenciadas entre idosos e pacientes neurológicos.

Três tipos de desnutrição foram descritos: desnutrição relacionada à fome, desnutrição crônica relacionada a doença e doença aguda ou desnutrição relacionada a lesões. A desnutrição relacionada à fome desenvolve-se em situações de deficiência crônica de energia e proteína, mantendo uma relação entre a quantidade de energia e proteína. A desnutrição crônica relacionada à doença é caracterizada pela presença de inflamação crônica de grau leve a moderado e por um grau variável de redução na ingestão de alimentos devido à anorexia associada à doença. A doença aguda ou desnutrição relacionada a lesões é caracterizada por inflamação aguda e grave, o que prejudica a capacidade de usar nutrientes introduzidos pela dieta ou infundidos por nutrição artificial.

Promover nutrição adequada para indivíduos disfágicos é um desafio, no entanto, sua alimentação pode ser facilitada através da modificação na textura dos alimentos e espessamento dos líquidos ingeridos. Para evitar a desnutrição, nutricionistas e fonoaudiólogos devem ser envolvidos para avaliar a disfagia e recomendar as texturas mais adequadas para cada nível da doença.

Bebidas espessadas podem ser preparadas especialmente para o tratamento da disfagia e, em geral, os líquidos espessados são produzidos pela adição de um ou mais agentes espessantes, tais como amidos modificados ou gomas.

Alimentos sólidos e semi-sólidos modificados são prescritos para promover deglutição segura e nutrição adequada em pacientes com disfagia. Sólidos e semi-sólidos são modificados de tal forma que suas texturas são adequadas para a habilidade de deglutição e palatabilidade de um paciente. No entanto, é evidente que ainda faltem diretrizes fortes e universalmente padronizadas para descrever a mudança mais adequada dos alimentos. 

As seguintes propriedades de textura dos alimentos foram consideradas as mais significativas para caracterizar a modificação de alimentos sólidos e semi sólidos para pacientes com disfagia, por exemplo, adesividade, coesão, firmeza, dureza, elasticidade, viscosidade e estresse de produção.

A compreensão das propriedades texturais acima é primordial para desenvolver terminologias e características padronizadas de alimentos sólidos e semi-sólidos modificados para pacientes com disfagia. A necessidade de padronização de alimentos modificados por textura é uma área que necessita de maior foco. Em uma tentativa de padronização, diferentes estudos e organizações agruparam alimentos sólidos e semi-sólidos modificados por textura em diferentes níveis de disfagia.

Newman e colaboradores, 2016 e Steele et al., 2015), concluíram que existem evidências clínicas que mostram que o aumento da viscosidade do bolo alimentar reduz o risco de invasão das vias aéreas (isto é, penetração e aspiração) e que essa prática é uma estratégia de gerenciamento válida para Disfagia.

E que não há evidências clínicas suficientes que permitam definir níveis de viscosidade e, portanto, estágios que podem predizer um processo de deglutição seguro e, portanto, desfechos clínicos. Nos casos em que os níveis de viscosidade são propostos, não há consenso em termos de taxas de cisalhamento que devem ser usadas para relatar viscosidades de cisalhamento de alimentos. Novos ensaios clínicos randomizados controlados devem ser realizados com o objetivo de identificar níveis ou estágios de viscosidade, ideal para cada fenótipo de pacientes disfágicos.

 

Fonte: National Dysphagia Diet Task Force, 2002

Intervenção Nutricional no Tratamento de Feridas

 

Dentre os principais fatores de risco para o desenvolvimento de úlcera por pressão está o estado nutricional inadequado caracterizado por ingestão energética insuficiente, perda de peso, de massa muscular e de gordura subcutânea, edemas localizados ou anasarca, que podem mascarar a perda de peso.

Os efeitos da desnutrição podem ser devastadores, principalmente em idososonde há um aumento da morbidade e mortalidade, maior risco de reinternações e aumento do tempo de hospitalização, aumento do risco de formação de úlcera por pressão e piora no prognóstico de cicatrização.

A intervenção nutricional precoce, após a identificação de risco nutricional (realizado através da MAN (Mini avaliação Nutricional)  ou NRS (Nutritional Risk Screening) ou ASG (Avaliação Subjetiva Global)), é de extrema importância para melhores prognósticos dos pacientes com feridas. Então deve-se considerar a necessidade de oferecer suporte nutricional suplementar.

A Terapia Nutricional tem como objetivo primordial garantir as necessidades nutricionais do indivíduo, e quando necessário, tratar deficiências. Sendo assim, a recomendação energética inicia-se em 30-35 kcal/kg/dia podendo variar com doenças concomitantes e 1,25-1,5g/kg/dia de proteínas. A necessidade de suplementos especializados com vitaminas antioxidantes, carotenóides e zinco, pode ser identificada para a otimização no processo de cicatrização.

Os riscos e benefícios do suporte Nutricional devem ser discutidos com o paciente , cuidadores e equipe multidisciplinar e deve refletir as preferências dos objetivos de cada paciente. A Terapia Nutricional só deverá ser interrompida , se os pacientes em risco para úlcera de pressão ou já portadores, estiverem ingerindo todas as necessidades nutricionais rotineiramente.

 

Fonte: Caderno de Boas Práticas Need - Fascículo I

Perfil de pacientes hospitalizados em uso de terapia enteral

 

A terapia nutricional (TN) é essencial para prevenir ou tratar a desnutrição, contribuindo na redução das complicações infecciosas, da má cicatrização, do tempo de internação, dos custos hospitalares e da mortalidade.

A nutrição oral é definida como a principal via de alimentação e é o meio preferencial para a ingestão de alimentos. Outra forma de terapia nutricional pode ser realizada quando os indivíduos não forem capazes de atingir suas necessidades nutricionais ou quando não podem e não devem alimentar-se pelo método convencional. A via alternativa tem como objetivo substituir ou complementar a alimentação por via oral.

Na escolha da via para acesso nutricional deve-se optar primeiramente pela nutrição enteral (NE), sendo a nutrição parenteral (NP) indicada na impossibilidade de NE ou quando esta não é suficiente para suprir as necessidades nutricionais.

A indicação da NE deve seguir critérios bem definidos, entre eles, quando há risco de desnutrição ou quando o trato digestório estiver total ou parcialmente funcional. As vias de acesso da NE são garantidas por sonda nasogástrica, nasoentérica ou ostomias (gastrostomia e jejunostomia).

O conhecimento sobre o perfil dos pacientes em uso de terapia nutricional é importante, uma vez que, ao conhecê- los, promove-se melhor planejamento do processo de assistência à saúde dos pacientes. A importância desse conhecimento está relacionada ao direcionamento da assistência prestada a esse tipo de paciente, com especial atenção aos efeitos da terapia, ao prognóstico e aos fatores de riscos aos quais os pacientes estão expostos.

Entendendo a importância de traçar o perfil dos pacientes em NE internados em um hospital geral de grande porte, Ueno e colaboradores observaram que a maior parte da população que recebeu nutrição enteral era idosa, do sexo masculino e que a indicação para uso da terapia nutricional foi predominantemente devido às doenças neurológicas, muitas delas decorrentes de AVC.

Os mesmos concluíram que a doença de base exerce grande influência sobre a via de administração a ser utilizada, da mesma forma sobre a resposta nutricional do paciente. Assim, a NE e a via de alimentação são fundamentais para a recuperação e evolução do quadro clínico.

 

Fonte:  BRASPEN J 2018; 33 (2): 194-8

Má nutrição associada ao tratamento do câncer

 

O estado nutricional do paciente oncológico é desafiado pelos transtornos metabólicos induzidos pelo tumor e pelos tratamentos anticâncer. O peso corporal permanece estável quando há equilíbrio entre a ingestão de energia (calorias oferecidas por via oral, enteral ou parenteral) e o gasto energético total (GET) no corpo. A perda de peso corporal ocorre quando há um balanço de energia negativo, estado em que o GET excede a ingestão de energia. O GET é a soma do gasto energético em repouso (GER), do gasto energético em atividade física (GEAF) e do efeito térmico dos alimentos (ETA), onde o GER é a quantidade de energia consumida pelo corpo em repouso e o maior contribuinte para o GET.

No entanto, o valor do GET dos pacientes com câncer, se não mensurado individualmente, deve ser considerado semelhante ao de indivíduos saudáveis , geralmente entre 25 e 30 kcal/kg/dia, de acordo com as diretrizes da European Society for Clinical Nutrition and Metabolism (ESPEN). Já a ingestão de proteína deve ser acima de 1g/kg/dia. Essa sociedade também recomenda o uso de suplementação com ácidos graxos ômega 3 de cadeia longa ou óleo de peixe para estabilizar ou melhorar o apetite, a ingestão de alimentos, a massa magra  e o peso corporal de pacientes com câncer avançado sob quimioterapia e em risco de perda de peso ou má nutrição.

Com o objetivo de identificar os fatores prognósticos nutricionais e os resultados de sobrevida associados à intervenção Nutricional, o estudo SCOPE1 randomizou 258 pacientes para quimioterapia com ou sem cetuximabe. A intervenção nutricional incluiu aconselhamento dietético, suplementação oral ou intervenção maior (nutrição enteral/ colocação de tubo). Os resultados demonstraram que a avaliação pré-tratamento e a correção da desnutrição podem melhorar os resultados de sobrevida em pacientes com câncer de esôfago tratados com quimioterapia. Esse resultado é válido para qualquer tipo de intervenção Nutricional.

Alcançar os requerimentos de energia e proteína é essencial para obter efeitos clinicamente relevantes, mas a adesão pode não ser ótima. O uso de nutrientes específicos,  como ácidos graxos ômega-3, pode melhorar a eficácia do tratamento. O monitoramento deve ser sempre intensivo e proativo.

 

Fonte: Cox et al. Role of nutritional status and intervention in oesophageal cancer treated with definitive chemoradiotherapy: outcomes from SCOPE1. Br J Cancer 2016.

Efeitos protetores do microbioma contra os antibióticos

 

Existe uma relação simbiótica entre a microbiota intestinal e o hospedeiro. A microbiota apresenta funções metabólicas (enzimas, vitaminas, fermentação) e de barreira. Em resposta à microbiota, as células da mucosa intestinal apresentam alterações na expressão gênica e na função imune intestinal. 

Os fatores que impactam o microbioma são a dieta, os medicamentos, a localização geográfica, os estágios do ciclo de vida, o processo de nascimento, o método de lactação do bebê e o estresse, seja causado pelo exercícios intensos, seja por questões metabólicas ou psicológicas. Entre os medicamentos, os antibióticos apresentam grande impacto na microbiota intestinal.

Os pacientes críticos tratados com múltiplos antibióticos apresentam alterações em seu microbioma. Em um estudo em que foram analisadas fezes desses pacientes, avaliou-se o perfil de resistência antibiótica dos patógenos isolados. Nos pacientes controles (saudáveis), havia dominância de Fimircutes e Bacteroidetes, e a Proteobacteriapermaneceu baixa. Nos pacientes da unidade de terapia intensiva (UTI), 50% tinham dominância de Proteobacteriaou Fimircutes em determinado período. Em 3 pacientes de UTI, as Proteobacterias substituíram totalmente os Fimircutes.

Essa dominância das Proteobacterias persistiu em outros dois pacientes, e constatou-se que, em todos os pacientes que faleceram ou receberam alta, era a bactéria que predominava nas fezes.

Os antibióticos eliminam as bactérias patogênicas e reduzem a diversidade da microbiota, além de alterar a expressão genética e proteica dos peptídeos antimicrobianos e da permeabilidade intestinal. Algumas bactérias comensais são alteradas com a infecção por C. difficile, caso da redução de Clostridia, uma bactéria produtora de butirato, e do aumento de Enterococcus e Lactobacillus. Também ocorrem alterações dos ácidos graxos de cadeia curta, com redução do butirato e do acetato e aumento dos níveis de lactato e succinato.

 

Fonte: Zaborin et al. Membership and behavior of ultra-low-diversity pathogen communities present in the gut of humans during prolonged critical illness. 2014 Sep; 5(5).

Antharan et al. Intestinal dysbiosis and depletion of butyrogenic bactéria in Clostridium difficille infection and nosocomial diarrhea.J Clin Microbiol. 2013 Sep. 51(9).

 

60% dos pacientes oncológicos hospitalizados estão desnutridos

 


Levantamento realizado pelo Instituto do Câncer do Estado de São Paulo (Icesp), ligado à Secretaria de Estado da Saúde e à Faculdade de Medicina da USP, apontou que cerca de 60% dos pacientes atingidos pelo câncer apresentam risco nutricional. O estudo revelou ainda que grande parte desses pacientes já chegam para tratamento com quadro de desnutrição.

A desnutrição é prevalente em pacientes com mais de 60 anos, oncológicos ou aqueles submetidos a procedimentos cirúrgicos. Os pacientes com câncer sofrem muito com os efeitos colaterais dos tratamentos. Diversos tipos de câncer estão associados com significativa perda de peso e problemas nutricionais, que ocorrem na época do diagnóstico ou durante o tratamento. Nesta fase acontece a perda de peso, que está associada com pior sobrevida e na redução de resposta ao tratamento.

A detecção da desnutrição no início do tratamento oncológico e ação nutricional imediata estão significativamente associadas à cura da doença. Para conter e reverter esse quadro, o Instituto do Câncer utiliza ferramentas de triagem nutricionais, que vão desde a identificação do risco, o acompanhamento durante todo o tratamento e a disponibilização de suplementos alimentares. 

A indicação de complementos alimentares logo no início do tratamento reduz em cerca de 10% a taxa de mortalidade, ou seja, quanto antes intervirmos, maior é a chance de cura.

Essas ações podem evitar uma série de complicações, como uma pior resposta imunológica, atraso no processo de cicatrização, maior probabilidade de desenvolvimento de lesões por pressão, aumento do tempo de internação, risco de mortalidade e reincidência de internação.

 

Fonte: Secretaria de Estado da Saúde e Braspen 

Indicação Nutricional no tratamento da Úlcera de Pressão

 

Uma úlcera por pressão (UP) é uma lesão localizada da pele e/ou tecido subjacente, normalmente sobre uma proeminência óssea, em resultado da pressão ou de uma combinação entre esta e forças de torção. As úlceras por pressão também estão associadas a vários fatores contribuintes ou de confusão, cujo papel ainda não se encontra totalmente esclarecido.

As úlceras por pressão apresentam alta prevalência e incidência em pacientes hospitalizados, tanto em centros de cuidados primários, como terciários ou em instituições especializadas para idosos ou deficientes físicos. Têm relação direta com a idade do paciente e com as características da instituição onde este se encontra. Em unidades hospitalares de atendimento de urgência, a prevalência de UP varia de 5% a 15%, em casas de repouso, de 15% e 20% e, em centros de reabilitação, de 30% a 50%.

São fatores de risco para a ocorrência de UP: desnutrição, presença de doenças crônicas, imobilidade no leito e uso de algumas drogas, como corticoides, entre outros. Neste sentido, o cuidado nutricional tanto na prevenção como no tratamento das UP é relevante e tem também impacto no controle das demais comorbidades.

A desnutrição é importante fator de risco para o desenvolvimento de UP. As restrições alimentares impostas pelo tratamento de comorbidades e as dificuldades do próprio paciente em aproveitar os nutrientes ingeridos são fatores de risco para estado nutricional debilitado. 

O estado nutricional é fator de risco independente para o surgimento de UP, logo, tem papel direto na prevenção desta enfermidade. Todo paciente com UP deve ser submetido à avaliação nutricional no início do tratamento e reavaliado quando não se observar melhora na lesão ou quando o fechamento da úlcera não for obtido.

O tratamento deverá contemplar os cuidados com a ferida, o controle das doenças associadas e a recuperação do estado nutricional. Neste sentido, a oferta de terapia nutricional individualizada é primordial.

Em relação a oferta calórica, os consensos preconizam oferecer uma quantidade energética individualizada com base na condição médica e no nível de atividade subjacentes. A oferta entre 30 - 35kcal/kg para os adultos em risco de desenvolver úlceras por pressão, assim como, para os pacientes com úlcera por pressão avaliados como estando em risco de desnutrição é o indicado.

O ideal seria as necessidades calóricas serem satisfeitas por uma dieta saudável. No entanto, alguns indivíduos são incapazes ou não estão dispostos a seguir uma dieta adequada. As dietas excessivamente restritas podem tornar a comida desagradável e pouco apelativa e, por conseguinte, reduzir o consumo.

Os suplementos nutricionais orais (SNO), os alimentos enriquecidos e os alimentos hipercalóricos podem ser utilizados para combater a perda de peso não intencional e a desnutrição.

Já quando falamos em oferta proteica, é necessário fazer uso do juízo clínico para determinar o nível proteico adequado a cada indivíduo com base no número das úlceras por pressão, no estado nutricional geral, nas comorbidades e na tolerância a intervenções nutricionais de cada indivíduo. É recomendado a oferta diária entre 1,25 e 1,5g/ kg/ dia de proteínas para adultos em risco de desenvolver úlceras por pressão ou pacientes que já apresentem úlcera por pressão e são avaliados como estando em risco de desnutrição.

Para além da dieta habitual, o uso dos suplementos nutricionais de elevado teor calórico e proteico a adultos em risco nutricional e em risco de desenvolver úlceras por pressão é extremamente indicado caso as exigências nutricionais não sejam satisfeitas através da ingestão alimentar. A utilização dos módulos de proteína são uma dos alternativas de grande valia para o manejo Nutricional desses pacientes.

 

Fontes: Prevenção e Tratamento de Úlceras por Pressão: Guia de Consulta Rápida - NPUAP, EPUAP, PPPIA; Terapia Nutricional para Portadores de Úlceras por Pressão - Sociedade Brasileira de Nutrição Parenteral e Enteral Associação Brasileira de Nutrologia Sociedade Brasileira de Clínica Médica.

 

O uso da fibra alimentar na prevenção do diabetes mellitus

O DM2 é uma das principais doenças crônicas que podem ser evitadas por meio de mudanças no estilo de vida e intervenção não farmacológica. Estudos epidemiológicos e intervencionistas sugerem que a perda de peso é a principal forma de reduzir o risco de diabetes. O alerta mundial para a prevenção do DM2 é reforçado, como mencionado, pelo substancial aumento da sua prevalência nas últimas décadas.

Hábitos alimentares saudáveis devem ser incentivados, existem evidências de que alguns alimentos têm impacto positivo na prevenção do DM2. Alguns estudos sugerem que os cereais integrais podem ajudar a prevenir o DM2. A maior ingestão de nozes, frutas vermelhas, iogurte, café e chá está associada a risco reduzido de diabetes. Por sua vez, o alto consumo de carnes vermelhas e bebidas açucaradas relaciona-se a um risco aumentado de desenvolvimento de DM2.

Algumas fibras dietéticas podem atenuar a resposta à insulina e, assim, auxiliar na prevenção do DM2. Diversas evidências epidemiológicas apontam para esse efeito protetor da fibra e revelam que os efeitos benéficos são decorrentes, principalmente, da ingestão de fibras solúveis.

As fibras consumidas atuam de maneira diversa no controle do diabetes. As solúveis apresentam efeitos benéficos na glicemia e no metabolismo dos lipídios, enquanto as insolúveis agem contribuindo para a saciedade e para o controle de peso. Além disso, ambas atuam na preservação da saúde intestinal.

Alguns estudos de coorte demonstram que dietas ricas em fibra dietética estão associadas a menor risco de doença cardiovascular. A V Diretriz Brasileira de Dislipidemias e Prevenção da Aterosclerose reforça a evidência de que o consumo de fibras solúveis está associado à redução do colesterol da lipoproteína de baixa densidade (LDL-c) e do colesterol total.

 

Fonte: Diretrizes SBD | 2017-2018